100 Olhares - RETRATO DE SHANIA
- joaquimgouveia06
- 29 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
RETRATO DE SHANIA
Joaquim Gouveia (texto) Luis Cangueiro (foto)

O dia despontou como é habitual. Solarengo, radiante, renovado de energia.
Shania acordou cedo como de costume. Refrescou-se num duche morno com água de coco e shampoo de alfazema.
Domingo, o costumeiro hábito de participar na missa na pequena igreja da aldeia, acolhedora, guardadora das imagens de Nª. Sra. de Fátima, de São Jorge e de Jesus Cristo na cruz.
À hora de sempre o padre Rodrigo comanda os destinos da crença dos populares. Shania
ajoelha e parece confessar os pecados que não tem, nem ainda conhece. Depois da hóstia vem a celebração do cumprimento final.
A moça que completou há pouco vinte anos exibe um lenço que lhe cobre a cabeça deixando, contudo, o seu negro e forte cabelo dançar com a fraca aragem.
Shania pastoreia cabras pelos campos.
É alegre, embora os seus olhos, por vezes, pareçam tristes.
Sabe as horas da oração e encomenda desejos a Deus, na maior parte das vezes num segredo que é só seu.
Os rapazes da aldeia tentam namoriscá-la. Promete-lhes beijos e pouco mais. Ri bastante e cora de vergonha.
Sabe que é mulher adulta, que a cobiça por si anda por perto mas não perde o tino.
Vive com os pais e uma avó. Só a eles entrega o seu amor e dedicação. Ama-os de verdade e com todo o sentido.
Entretém-se na pastorícia e canta para o seu rebanho.
De chinelas nos pés, vestido estampado, fino e de linho, enfrenta as temperaturas altas que se sentem na região. Está habituada.
Corre pelos campos, levanta os braços e grita às pequenas montanhas.
Nos dias de festa rodopia no bailarico ao som estridente, mas compassado da música popular do seu país.
Dança com os rapazes. Não para toda a noite. Sente-se solicitada e bela, a moça mais vistosa entre as moças da aldeia.
Shania é o rasgo de luar que anuncia os dias de sol e de alegria.


Um texto delicado e luminoso, que retrata a pureza, a força e a liberdade de uma jovem em perfeita harmonia com a terra, a fé e a tradição. A Shania surge como símbolo de inocência consciente e de alegria simples, daquelas que não se exibem, mas se sentem. A escrita é poética, envolvente e cheia de imagens sensoriais que nos fazem caminhar pelos campos com ela, ouvir a música da aldeia e sentir o calor do sol. Um retrato bonito da feminilidade serena, da vida simples e da esperança que ilumina os dias
Historia contada na simplicidade do ambiente da aldeia longínqua na savana africana, onde a vida no campo tal como aqui acontece sem sobressaltos, sem pressas quase sem horários. É lugar de encontro com a felicidade que o campo lhe dá. Porque os camponeses do mundo são de longe mais felizes que os citadinos. O sol é direto, assim como a chuva e o frio. Têm liberdade de molhar aquecer, e enregelar !!! Qdo tudo isto acontece evexiste e a história gira à volta de uma bela mulher de ar angelical e doce tanto melhor!! Já o outro dizia: É pá não há mulheres feias, mas sim, exitem mais ou menos bonitas!!!!!
ND