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100 Olhares .*.*

  • Foto do escritor: XetubalSite
    XetubalSite
  • 12 de fev.
  • 2 min de leitura

Escape, marcando a batida (im)perfeita da vida


Dora Mendes (texto) / Luis Cangueiro (foto)


 

Desde os primórdios da existência humana que o homem arrasta consigo o desejo de dominar tudo o que o rodeia. O fenómeno do tempo não é excepção.

Ainda que a lua tenha exercido um fascínio que ia para além da sua utilidade como medida de tempo, acabou por se revelar insuficiente para a ambição humana. Perante o abismo da razão, onde a eternidade e a duração entram em conflito, uma hora, um dia, um século relativizam-se na sua medida, parecendo um segundo. Nesta imensidade angustiante, o homem imaginou dividir o tempo em porções iguais que se sucediam entre dois aparecimentos sucessivos do Sol, tomando este ciclo como uma unidade a que chamou dia.

A luz diurna, aquela que importava porque útil, era o tempo em que os homens podiam trabalhar. Medir o tempo útil era portanto medir as horas de Sol. De forma antagónica, foi na sombra do Sol, no lado escuro da luz, que durante séculos permaneceu a medida universal do tempo conseguida através do gnómon. Aquele que dá a saber.

Através do tempo revê-se a vida. Os ponteiros marcaram o minuto do nascimento, as horas alegres, de angústias e de amor, e irão marcar a hora da morte. Estranha dependência, esta, em que a evolução humana nos torna escravos do tempo. Em que no século da Luz, a artificial, a importância do Sol se dilui, fazendo perder a noção de contraste entre dia e noite. Será esta a mais pobre experiência da vida quotidiana?

Aqui o tempo parou. Apenas brilha o Sol, que mais do que medir o tempo, aquece a alma e a pele, confortando estes dois corpos. Existe tempo, mas de pertença àquele espaço, momento e lugar. Existe tempo, mas de aconchego, consentindo que os olhos se fechem porque seguros estão. Sem pressa, porque o Sol ainda está alto, tal nos diz a sombra delicadamente desenhada na parede. E quando cair a noite, descansamos, tal como a natureza. É esse, afinal, o ritmo da vida.

Ao ritmo da música, porque esta também é vida, tive o prazer de conhecer o Dr. Luis Cangueiro. A sua paixão pela Música Mecânica, o seu espírito de partilha e reconhecimento da importância de socialização desta magnifica colecção, permitiram que se realizasse em 2008, uma das exposições mais marcantes no nosso Museu – Museu do Hospital e das Caldas.

 


 

 

 

 

 

 
 
 

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