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A ESCOVA QUE INVADIU O COPO

  • Foto do escritor: Ana Acto
    Ana Acto
  • há 6 dias
  • 2 min de leitura

De ou para a vida?



Soube que tinha partido deste mundo, prematuramente, no auge da idade.

Foi inevitável recordar-se de momentos vividos em conjunto. Gostara dele de uma forma carinhosa, um bom amigo, mas apenas isso. Já dele, o sabia... tinham-lhe ouvido dizer, tinha sido o amor da sua vida.

E queria acreditar que somos, pelo menos uma vez, o grande amor da vida de alguém.

Pelo menos, de uma pessoa. Que marcámos a sua vida, porque despertámos emoções fortes, se viveu algo bonito, ou pelo contrário, porque nunca chegou a ser uma história, e por isso mesmo foi perfeito, idilico, um sonho para a vida.

O amor da sua vida...

E nunca houve um romance, intenções, nada.

Apenas uma bonita amizade de juventude.

Ela sabia-lhe esse sentimento, mas nunca lhe dera alento.

O amor da vida de alguém...

Era bonito isso, poético até ou simplesmente catastrófico.

Teria realmente sido? Dele ou de alguém?

Por vezes dava por si a pensar nisso. Será que alguém alguma vez a tinha realmente amado? Na sua essência? Com suas características, virtudes, loucuras e defeitos?

Sempre sentira que não, que sempre tinha servido um propósito, tinha sido uma ponte entre relações, salvação ou até comodismo. Mas um grande amor? Ah... se o soubesse.

A maturidade trouxera-lhe mais clareza. Agora, olhava tudo mais a frio, e aceitava, ou melhor, acreditava, que cada um a tinha amado como sabia, como lhes tinha sido ensinado a amar, como vira alguém ser amado e assim, tinham amado como conseguiram. Acreditava, que cada pessoa tinha seu modo de amar, de o demonstrar.

E talvez ter lido o livro " As 5 linguagens do amor", a tenha despertado para essa realidade, e conformava-a agora saber disso.

Não importava se tinha sido o seu grande amor. Talvez fosse a frescura da juventude, das primeiras sensações, essas, as que ficam eternas.

Talvez até o tenha dito a tantas outras mulheres depois, ou até sorrido dessa memória, e lhe tivesse parecido agora pueril. Talvez... talvez até se tivessem ido adiante, tivesse deixado de o sentir assim. Aquele amor imortal, vivido nos grandes romances, como escreveu Andrei Tarkovsky " Você conhece as grandes histórias de amor, os clássicos? Nada de beijos, absolutamente nada. Puríssimo! É por isso que são grandes. Sentimentos não expressos são inesquecíveis."

Sorriu ao recordar-se dele, chorou a sua partida.

Poderia não ter sido o amor da sua vida.

Poderia nunca ter sido o amor de uma vida, mas, acreditava, ainda seria, um amor para a vida.

 
 
 

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