Crónica do associativismo
- Carlos Branco

- 27 de fev.
- 2 min de leitura
A ESCOLA DA DEMOCRACIA

O Impacto da Pertença Associativa na Cidadania
Ao avaliar o impacto da pertença associativa e cultura política, no exercício da cidadania democrática, importa referir que o associativismo tem uma expressão algo limitada na sociedade portuguesa. Apenas um em cada quatro intervenientes neste estudo, se mostrou de algum modo identificado com a actividade associativa, em especial com a desportiva que mobiliza o conjunto mais significativo de jovens.
Tendo em atenção que nos reportamos a universos numéricos bastante distintos, as diferenças que se verificam entre jovens associados e não associados são bastante dilatadas, quer no plano das práticas quer no das representações sociais. Os três indicadores de participação revelam, no geral, um efeito favorável das pertenças associativas.
Participação e Espaço Público Com efeito, os jovens associados têm uma presença mais assídua nos actos eleitorais (47, 5% contra 33, 9%) e envolvem-se mais frequentemente em acções voluntárias na comunidade (15, 6%, contra 2, 8%), mas no que respeita ao envolvimento em actos políticos, cuja frequência se situa abaixo de duas acções, não se diferenciam dos jovens não associados. Seja como for, a prática associativa revela uma presença mais visível no espaço público.
Este maior protagonismo público dos jovens associados é também acompanhado por um conjunto de disposições favoráveis aos outros, ao bem comum e à responsabilidade colectiva. É certo que as diferenças são em alguns casos mais expressivas do que noutros, mas todos eles mostram que o associativismo marca uma diferença nessas disposições.
Escola de Democracia
É possível identificar nos jovens associados um sentido de responsabilidade colectiva mais consolidado e uma consciência de “dever” mais acentuada. Por isso se sentem mais responsáveis pelo melhoramento da sociedade, mais empenhados no trabalho voluntário comunitário e mais dispostos a aceitarem uma concepção de cidadania que implica a existência de deveres cívicos, políticos e de solidariedade social.
Assim o associativismo é frequentemente descrito como uma "Escola de Democracia" porque permite que os cidadãos pratiquem, em pequena escala, os valores e mecanismos fundamentais de um regime democrático. Ao participarem em associações, clubes ou coletividades, os indivíduos aprendem a debater ideias, a respeitar a opinião alheia, a votar em decisões coletivas e a assumir responsabilidades cívicas.
Pelo que o Movimento Associativo Popular é considerado uma escola de democracia, com inúmeras áreas de intervenção:
Formação Cívica: O envolvimento em associações traduz-se numa cultura cívica mais desenvolvida, funcionando como um treino para a vida política e social.
Participação Ativa: Estimula o exercício da cidadania através da tomada de decisão coletiva e da eleição de órgãos dirigentes.
Coesão Social: As associações combatem o isolamento social e promovem a inclusão, criando redes de confiança essenciais para a estabilidade democrática.
Contrapeso ao Poder: Segundo pensadores como Alexis de Tocqueville, o associativismo livre protege a sociedade contra a "tirania da maioria" e o despotismo, ao fortalecer a sociedade civil.
Pluralismo e Diversidade: Favorece a intervenção de diferentes grupos, como jovens e mulheres, garantindo que múltiplas vozes sejam ouvidas e representadas.
Áreas de Impacto
Em Portugal e noutros países, o Movimento Associativo Popular deve ser visto como um pilar fundamental da organização social, atuando em diversas frentes:
Cultura e Desporto: Democratização do acesso ao lazer e à saúde.
Social: Apoio a grupos vulneráveis e proteção de direitos.
Económica: Fortalecimento de pequenos negócios e negociação coletiva.

Excelente reflexão! O associativismo é, sem dúvida, uma verdadeira 'Escola de Democracia'. Numa altura em que se fala tanto do afastamento dos jovens da política, fomentar a participação em associações desportivas ou culturais devia ser uma prioridade. É lá que se aprende o valor do bem comum e da cidadania ativa.