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Crónicas da Ana Acto

  • Foto do escritor: Ana Acto
    Ana Acto
  • 12 de jul.
  • 2 min de leitura

O SEGREDO DA FELICIDADE


imagem gerada por IA


"O despertar da consciência traz-nos leveza, aceitação, perdão, e nos remete à nossa essência, ao primordial."

Todos procuramos ou desejamos uma fórmula milagrosa, o segredo da felicidade, pura alquimia... Deveríamos de nos perguntar antes, o que desejamos realmente na vida?

Porque ao longo dela mudamos tantas vezes de perspetiva, tanto quanto for o nosso crescimento, a nossa evolução. Em crianças, apenas precisamos saciar nossas necessidades básicas e afetivas, barriguinha cheia e um colo de mãe, e tudo é perfeito e tudo nos basta.

Mas ao longo da vida, a sociedade nos vai incutindo que necessitamos de mais. Somos conotados pelas posses pessoais, pelo canudo que possuímos e até pelo nosso corpo. E levamos uma vida de exigências, sacrifícios, provações, não por real necessidade, mas para provar a outrem, para nos sentirmos incluídos no meio em que vivemos.

O despertar da consciência traz-nos leveza, aceitação, perdão, e nos remete à nossa essência, ao primordial. Nos conecta de volta com a natureza, com valores morais e reais, com a simplicidade, o desapego. Que queremos nós então realmente da vida? Uma boa casa, um bom automóvel, viagens, luxos...

Tudo é permitido em equilíbrio, tudo é permitido sem dependência. Mas estas coisas fazem-nos realmente felizes? Os custos que por vezes acarretam serão realmente necessários? Para quem, por quem?

Amor (calor humano), paz (de espírito)... não se compra, cultiva-se. Quantos de nós trocávamos um jantar de luxo seguindo a etiqueta, por uma simples sandes num banco de jardim de pernas cruzadas acompanhada com risadas.

O que amamos realmente? Família? Companheiro? Sim... Mas vamos mais fundo, além disso, o que amamos?

Eu, por exemplo, amo andar descalça, uma chávena de café ao fim da tarde a ver o pôr do sol, o riso dos meus filhos quando os surpreendo, ouvir uma música antiga na rádio e soltar a voz bem alto e a acompanhar, sentir o sol no rosto e fechar os olhos... coisas tão pequenas, mas amo. Obrigada vida...

Tudo tem outra perspetiva, sem nunca claro, descurar o necessário à existência. Façamos em nós esse exercício ao longo dos dias, prestemos atenção ao simples, ao belo e saibamos passar esse olhar ao próximo. Porque aí sim, tudo valerá a pena, e seremos infinitamente mais felizes...

Levanta os olhos do chão e abre o teu olhar

Repara como dançam as nuvens

Quais bailarinas nos seus tules brancos

Delicadas, deslizando majestosamente sobre o céu

Fosse ele um palco

E tu... olhando-o debaixo

Repara... talvez hoje dancem para ti

Escuta... por entre os mil ruídos, a melodia

Apenas se quiseres a escutarás

Abstrai-te e sintoniza, as notas soltas pelo ar

Que se escapam das janelas

De um assobio distraído ao passar

Sinfonias improvisadas

Em esforço ao esquecimento

Mas que por momentos, te levam a levitar

Ah... e os aromas

Libertos em profusão

Da cozinha da vizinha, do forno do pão...

Os céus, poderão continuar cinzentos

Os ruídos ensurdecedores

E nem sentires os aromas das flores

Mas se te abrires ao belo

Ao simples, a acreditar...

O mundo, se te moldará

E te mostrará, qual real pode ser aos que o sonham

Aos que o sentem...

 
 
 

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