Crónicas da Arrábida (10)
- Eng. Nuno David

- 5 de jun.
- 2 min de leitura
A realidade vivida nos finais dos anos 60
"SALVE-SE A ARRÁBIDA ANTES QUE SEJA TARDE"...

O Eng.º José Gomes Pedro, prosseguiu afirmando frontalmente que "o massacre na Serra da Arrábida, continua e cada vez mais se intensifica, antevendo-se os mais desastrosos resultados para um processo já tido como irreversível - salientando-nos - que enquanto cessaram ou se atenuaram as pequenas explorações de pedra aqui e ali, a nova situação passou a assumir enormes proporções, a exploração concentrada da cimenteira Sécil, pois com a instalação em curso de mais um forno no Vale da Rasca – até hà pouco um dos logradouros mais pitorescos e frequentados dos arredores de Setúbal – a juntar aos seis já existentes no Outão, a serra virá a sofrer no seu flanco oriental, o mais rude golpe de toda a sua existência, um colossal desventro".
Face ao estado em como se apresenta atualmente a Serra da Arrábida, nomeadamente a zona do Portinho, afirma ainda o Eng.º Gomes Pedro: "Parece-nos que a Comissão nomeada para estudar e planear a proteção da Serra da Arrábida terá de optar por uma das três soluções seguintes:
1) Fazer reverter a Serra da Arrábida ao seu contexto natural, na íntegra, o que cremos pouco viável dados os interesses criados (veja-se por exemplo, as instalações residenciais, as vias de acesso e sobretudo os recentes investimentos no novo forno de cimento ).
2) Manter a ocupação atual e delimitar rigorosamente as áreas a serem integradas no parque nacional.
3) Reservar na zona do Portinho, segundo o projeto do arquiteto Rafael Botelho, as áreas por ele destinadas aos complexos hoteleiros e aplicar às restantes áreas da serra um regime de rigorosa proteção".
E termina afirmando: "Há que pôr cobro e de imediato, aos desmandos a que têm sujeitado a Arrábida. Apesar de oficialmente declarada como Reserva Natural (1970), as arremetidas agravam-se pelo que somente a proclamação com Parque Nacional – medida que vem sendo oficiosamente anunciada mas ainda não instituída – poderá vir a salva-la. Haverá que definir ações a desenvolver, criar e pôr em funcionamento eficaz as infraestruturas indispensáveis à sua salvaguarda".
O Dr. Almeida Fernandes, que um pouco mais tarde, no pós Revolução do 25 de Abril, viria a assumiu a Presidência do Serviço Nacional de Parques, e Reservas, afirmou em finais dos anos 60, que "o futuro da Serra da Arrábida, após as sucessivas agressões que tem sofrido, afigura-se bastante sombrio se não forem tomadas medidas de consciencialização, divulgação e conhecimento dos verdadeiros valores dela nos vários contextos designadamente, o conhecimento botânico, geológico, fauna e flora em geral e paisagístico também".
Afirmava-se à época: Salve-se pois a Arrábida e antes que seja tarde!!!!
(continua na próxima atualização)


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