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Crónicas da Arrábida (11)

  • Foto do escritor: Eng. Nuno David
    Eng. Nuno David
  • 20 de jun.
  • 2 min de leitura

AS RAZÕES DO DESEQUILIBRIO ANIMAL DA SERRA


 

A propósito de caça nesta região, designadamente na Arrábida, salientemos que desapareceram o javali e o veado durante bastantes anos.

O javali que é atualmente invasora, constitui um problema sem que se vislumbre como controlá-lo.

Na cadeia alimentar e noutros tempos pela ação predadora do lobo, as várias populações de mamíferos eram equilibradas e dessa forma controladas as várias espécies.

Embora não se tenha conhecimento exato sobre se o veado foi introduzido ou era originário da região, sabe-se, contudo, que existiram em tempos na Arrábida, esta espécie em números consideráveis, dada a extensão das matas que hoje e infelizmente estão reduzidas às áreas que conhecemos.

Na vertente a norte, a mata do Vidal e a sul, as matas de S. João, Coberta e do Solitário.

Dois ou três séculos passaram e nesse tempo, estes territórios, estas matas ocuparam uma vasta área a norte de todo o vale de Picheleiros, estendendo-se para poente e em grande parte pelas terras do Risco e nas proximidades da quinta de Calhariz.

Para norte as matas ocupavam uma área muito considerável de todo o vale e atingiam os montes de Azeitão até à periferia da vila.

Com a dinâmica da agricultura e sobretudo dos vinhedos, tudo foi desaparecendo e naturalmente reduzindo o habitat dos veados, razão principal da sua progressiva extinção.

Por outro lado, segundo uma história colhida na região, um dos filhos do Duque de Aveiro, que viveu em Setúbal na época do domínio espanhol, teria morrido na Serra da Arrábida, vitimado por uma insolação quando perseguia gamos e veados.

Ao longo de toda a nossa história e apesar de algumas medidas decretadas no reinado de D. João II, contra o lançamento de fogos e o abate de árvores, as matas da Arrábida foram sofrendo degradações sucessivas.

Segundo afirmou o Prof. Orlando Ribeiro (Mediterrâneo 1968), a floresta uma vez destruída não encontra naquele clima de chuvas concentradas condições favoráveis à sua reconstituição.

A fauna foi drasticamente empobrecida e certas espécies que se caçavam na região, já dali foram erradicadas há muito.

“A paisagem é um reflexo de uma mentalidade e o seu empobrecimento, fala-nos da ausência de uma filosofia de tolerância para com espécies que, coabitando sobre a Terra, se revelam aparentemente competitivas para o Homem e de cuja supressão tarde ou cedo terá um reflexo.”

Aliás é disso reflexo a abundância desmesurada de coelhos na Arrábida, resultado da eliminação ou redução drástica dos predadores, tal como hoje acontece com a população de javalis, pela ausência do lobo, com o consequente prejuízo para a agricultura local etc..

Não podia deixar de fazer uma abordagem resumida das origens desta região e das prospeções feitas nos anos 70, do século passado, por uma equipa do centro de Etatigrafia e Paleobiologia da Universidade Nova de Lisboa , sob a condução do professor Miguel Telles Antunes.

Esta equipa debruçou-se no estudo da evolução das interações ocorridas desde tempos remotos entre os seres vivos e o ambiente que então os rodeava, onde o papel do Homem é fundamental (estudo paleo-ecológico ).

 

(continua na próxima atualização do site)

 

 
 
 

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