Crónicas da Arrábida (12)
- Eng. Nuno David

- 10 de jul.
- 2 min de leitura
Os Tesouros Arqueológicos na Região”

O seu estudo reveste-se de grande interesse científico. É indispensável um conhecimento menos incompleto da ocupação humana durante a Pré–História na Península de Setúbal e para uma melhor compreensão da vida económica e social antiga.
De novo o Dr. Carlos Tavares da Silva escrevia, à época, “queremos deixar bem vincada a ideia de que não basta explorar estações aparentemente grandiosas. Para uma autêntica reconstituição da vida social pré-histórica importa estudar, exaustivamente, num determinado espaço geográfico todos os vestígios arqueológicos que entre si mantenham relações. Todas as estações, sejam grandes ou pequenas, tem a mesma importância, se da arqueologia pretendermos efetivamente extrair ensinamentos que sirvam outros ramos das ciências humanas, muito particularmente a geografia e a sociologia”.
Referia-se, à época, “o risco que a estação de Galapos corre neste momento, mostra-nos como a abertura de uma estrada não obedece a um plano prévio que leve em consideração os vestígios arqueológicos existentes na área do seu traçado, mesmo quando esses vestígios foram Hà muito assinalados e publicados. Verificar-se assim, não só uma falta de planificação, como também uma total ausência de colaboração entre os dois serviços do Estado, um dependente do Mistério a Educação e outros do Ministério da Obras Públicas. O que há agora a fazer é a execução das sondagens de emergência que permitam recolher o maior número possível de elementos sobre a ocupação humana que num passado distante teve lugar em Galapos”.
Refere-se, contudo, que após a publicação deste trabalho, a Câmara Municipal de Setúbal, forneceu ao arqueólogo os meios necessários à realização da referidas sondagens. Também o Professor do Instituto Superior de Agronomia, Baeta Neves, expõe aos setubalenses os seus argumentos, num artigo publicado no Jornal “O Setubalense”, em Abril de 1971, argumentando “por muito estranho que pareça existindo na serra da Arrábida, uma amostra única de vegetação mediterrânica e tendo sido possível, por benéfica influência de um conjunto de circunstâncias de vária ordem, mantê-la até agora mais ou menos intacta, foi a certa altura tomada a resolução de vir a ser aberta uma estrada entre Galapos e o Portinho, a qual, constitui a maior ameaça de destruição, além do fogo, que tão rara preciosidade fitogeográfica tem sofrido. Alegam-se, em favor de tal obra, argumentos de vária ordem todos eles tão, lamentavelmente, parciais no seu fundamente, o como menos justo quanto aos interesses coletivos que, aparentemente, pretendem defender. Não aceitam o diálogo, não procurando a informação em todos os campos direta ou indiretamente ligados ao problema em causa, não querendo, portanto, ouvir nada que seja contrário aos pontos de vista pessoais sendo este um bom exemplo assim como outros”, escrevia.
(continua na próxima atualização)


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