Crónicas da Arrábida (13)

“Ainda considerações sobre a estrada”

Tendo em atenção o mencionado na última crónica e no seguimento do seu conteúdo, o professor do Instituto Superior de Agronomia, Baeta Neves prosseguiu, afirmando:
“Insisto que é fundamental procurar e conhecer o verdadeiro valor científico da vegetação da Serra da Arrábida, se há quem diga que ela tem um valor excecional, por ser uma amostra única da vegetação mediterrânica do seu tipo, ou se acredita, pela autoridade, ou se indaga da veracidade de tal opinião, consultando a bibliografia a propósito ou pedindo opiniões a outrem. Pensando melhor, o aproveitamento turístico da região e conhecendo a sua originalidade, importa encontrar uma solução para os problemas ligados ao primeiro que não justifique essa caraterística fundamental da região considerada, aquela que deve ser o seu atrativo com mais propaganda. Se a solução encontrada não for julgada por quem possua competência para tanto, a mais conveniente, que se não insista na sua exclusiva adoção, mas antes se procure a tempo analisar os argumentos contrários e harmonizar todos os interesses em causa legitimamente lembrados”.
Estávamos no início da década de 70 e prossegue: “O que não é possível compreender, em situação idêntica àquela que, ultimamente, surgiu em volta da infeliz ideia da abertura da estrada de Galapos, ao Portinho, é a indiferença até agora revelada por um certo número de objeções levantadas a tempo e horas e a quem de direito, pela Liga para a Proteção da Natureza, em relação aos mencionados benefícios de tal estrada, tal como não é fácil aceitar o desprezo total a que foi, nesse caso particular, votado o Projeto de Desenvolvimento Turístico da Arrábida, da autoria do arquiteto Rafael Botelho, onde essa estrada não foi considerada como indispensável, não é excluindo, portanto. Ainda que possa haver, aqui e ali, quaisquer divergências de pormenor com a orientação seguida por este último ao propor uma solução de tão delicado como complexo, não o fez sem um estudo, excecionalmente, profundo e consciencioso dos seus aspetos fundamentais, nomeadamente de ordem ecológica. Uma vez aberta a estrada e acelerada, como consequência inevitável da mesma, a degradação não só da vegetação como da própria paisagem, alguém poderá vir a beneficiar da iniciativa é certo, mas será muito maior o número daqueles que virão a ser prejudicados, e por ser assim não é legítimo insistir na execução de tal obra, com a agravante de ser bastante dispendiosa. Sem ponderar todos os argumentos que se opõem quando apresentados com a autoridade e independência necessárias”. Acrescentava ainda que “A Serra da Arrábida pode e deve ser, regionalmente, valorizada pelo seu aproveitamento turístico,
(continua na próxima atualização)

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