CRÓNICAS DA ARRÁBIDA (14)

Atualizado: 20 de set.
“Já em tempos próximos da Revolução”

O Professor do Instituto Superior de Agronomia, Baeta Neves, no seguimento da crónica anterior, afirmou:
“Dando continuidade ao pensamento expresso na última crónica, este aproveitamento turístico, não pode nem deve ser de um tipo diferente daquela a que as caraterísticas únicas desta nossa Serra obrigam, ou então o seu interesse deixará de ter o seu valor excecional que possui, dada a inevitável comparação com outros casos idênticos, que hoje não existem e continuaram a não existir enquanto se mantiver intacto quanto resta da amostra única de vegetação mediterrânica que cobre esta nossa Serra da Arrábida. Mais adiante, afirma que a “estrada é o princípio do fim e poderá demonstrá-lo".
Também houve oportunidade de neste processo algum tempo antes da Revolução de 1974 recolher a posição do Senhor Presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Dr.º Constantino Gois, que ao Jornal “ A Capital “ de 13 de Abril de 1971, afirmou o interesse que “a abertura da estrada teria para a vida de toda a Região, quer no aspeto turístico, quer também pelo facto de se facilitar a chegada de água potável às praias, o que e até à altura era transportada em autotanques, acentuando todos os inconvenientes deste procedimento". Recordou também as várias diligências por ele feitas durante alguns anos para se conseguir a estrada e disse do carinho que este projeto mereceu da parte do então Ministro das Obras Públicas, Eng.º Rui Sanches.
Aludiu por fim e também ao regozijo dos setubalenses pelos benefícios trazidos pela abertura desta estrada e também da necessidade de condicionar o aproveitamento e a ocupação da área por forma a conservar todo o seu património.
Os acontecimentos ocorridos em Abril de 1974, alteraram por completo o figurino que de facto se desenhava para a Serra da Arrábida, com o projeto do Arquiteto Rafael Botelho, que previa a construção de alguns hotéis em plena serra, nos moldes de um turismo assente em infraestruturas idênticas ao que se estava a executar na altura na Península de Troia.
Por outro lado e apesar de ter sido concretizada a construção da estrada, contra a opinião abalizada da Liga para a Proteção da Natureza, esta encarou certamente com algum otimismo a nova situação política que se vivia no país e acalentou esperanças quanto à posição na defesa intransigente da Arrábida, tanto mais que nesta altura já tinha sido encerrada a pedreira de brecha no Alto do Jaspe,muito próxima da mata do Solitário e o referido projeto já não tinha sentido, porque certamente se iria pensar a Arrábida de forma diferente. Este projeto já não fazia sentido pela preservativas que se levantavam, dada uma nova forma de pensar a Arrábida que a curto prazo convergiriam na formação da Área Protegida com o estatuto de Parque Natural.
(Continua na próxima atualização do site)

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