CRÓNICAS DA ARRÁBIDA .
- Nuno David

- 29 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
ESTA SERRA TÃO CHEIA DE HISTÓRIAS
Arrábida,... tão perto de Lisboa e quando para sul se olha..... se alcança, vemos
bem longe uma ....., “uma serra agarrada aos céus” que vem até nós,.... E a
vemos do outro lado do rio,......nas manhãs... e só quando as neblinas no Tejo
nos deixam !

“A Serra da Arrábida, talvez mais do que um simples conjunto de uma
diversidade botânica, coberto de matizes e aromas, extraordinária e quase única,
à beira de um atlântico mediterrânico, tem valido ao longo dos tempos pela sua
função como berço de vocações. Ela constitui sem dúvida, uma Escola e como tal
deve ser acarinhada, conservada e vivida.
O seu início geológico foi como uma ilha e é nessa qualidade que ela se deverá
manter, como modelo e refúgio de um meio envolvente em degradação “.
Escreveu o Eng.o Carlos Frescata para o livro “O Desafio da Arrábida”, em 1996
e editado por ocasião das comemorações dos 20 anos da criação do Parque
Natural, 1976/1996.
Para o próximo ano já se comemoram os 50 anos!
Esta serra tão cheia de histórias!
Muitas foram as personalidades que se manifestaram sobre a importância da
Serra da Arrábida. E isto aconteceu, quer nacional, como internacionalmente em
iniciativas de vária ordem, desde os simples apelos, aos artigos publicados em
jornais, ensaios e conferências e mesmo em respostas a consultas oficiais.
Em 1909, o biólogo R.Choddat, escrevia no Boletim da Sociedade Botânica de
Genéve, que a Serra da Arrábida era “o mais surpreendente maquial (maquis)
existente na Europa“ e lhe parecia “ter conservado um dos últimos, senão o
último vestígio de uma floresta pré-glaciar da Europa do Sul “.
Em 1939, o Eng. Silvicultor Francisco Flores, afirmava que ”dentro de todas as
criações da natureza que possam existir em Portugal e em que se impõe rigorosa
proteção, destaca-se não só pela sua raridade excecional, surpreendente beleza,
valor científico e florestal indiscutíveis, como também pela grandiosidade de
enquadramento do mar azul-ferrete intenso que a envolve (...) a formação
climática da Arrábida, último resto intacto do matagal mediterrânico,
escapado milagrosamente da destruição continuamente exercida durante
milhares de anos por civilizações que se sucederam umas às outras nesta
zona do globo. Torna-se imprescindível a delimitação da reserva integral da zona
arborizada da serra e daquela que lhe está contígua”.
A Direção Geral dos Serviços Florestais e Equícolas apresentava superiormente uma memória
descritiva acerca da necessidade e utilidade da proteção da Serra da Arrábida, a
qual vem merecer um despacho desfavorável da Presidência do Conselho, que
assim rejeita as soluções propostas... (continua na próxima atualização)


Um texto absolutamente apaixonante e necessário. Lê-se com a sensação de quem percorre a serra passo a passo, sentindo a sua grandeza, a sua memória e a urgência de a proteger. A Arrábida surge aqui não apenas como paisagem, mas como escola, refúgio e herança viva, carregada de vozes que ao longo do tempo souberam reconhecer o seu valor único. Gostei particularmente da forma como o autor entrelaça história, ciência e emoção, lembrando-nos que esta serra não é apenas “nossa”, mas um legado que exige cuidado, respeito e compromisso. Um texto que desperta orgulho e responsabilidade. Obrigada por esta viagem tão rica e consciente pela Arrábida.