CRÓNICAS DA ARRÁBIDA..
- Nuno David

- há 6 dias
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O último vestígio da flora mediterrânica

Também o fotógrafo e jornalista Gil Montalverne publicou “ Arrábida o SOS da
Natureza “, numa mensagem clara.
“ Numa época como a nossa, de evolução acelerada, deve ser estabelecido o
princípio da perenidade das florestas, fontes permanentes e renováveis de
matérias-primas para fins diversos e elementos essenciais de um ecossistema".
Em 1948, como consequência e da necessidade do uso do carvão
vegetal, houve quem fizesse cortes destinados ao seu fabrico. Foi então que o
poeta Sebastião da Gama, o enamorado das belezas da Arrábida, conhecedor
daquelas paragens, habituado a escutar o ruído das fontes e das árvores, a ouvir
os seus lamentos e sentir as suas dores, lançou o seu grito,
o alarme geral contra o perigo que ameaçava as maravilhas existentes na
Arrábida. (Sabemos que entretanto o Estado adquiriu toda a área que atualmente
abrange a Mata do Solitário). *
Também sobre as algas marinhas da zona costeira da Arrábida, F. Palminha,
escrevia em 1958 que “ na Anixa ( o rochedo que todos conhecem no meio da
baía do Portinho), vegetam todas ou pelo menos a grande maioria das algas
existentes na costa onde está situada e de tal modo, que deveria ser considerada
de interesse público (...). “Sómente devia ser observado o rochedo de longe e
nunca permitir o desembarque ao simples venareante, esse direito não
representando egoísmo, apenas deveria ser consentido aos que têm na Anixa, um
local único no país para estudos botânicos e zoológicos, uma aula viva de
ciências naturais”.
A partir de 1961, surge a ação do arquiteto Rafael Botelho, que apresenta,
superiormente, um plano para a urbanização da Península de Setúbal,
defendendo a criação de um Parque Nacional, como forma de evitar, ou reduzir os
efeitos nocivos provocados com desenvolvimento urbano da chamada “Outra
Banda”, agravados pela construção da chamada ponte sobre o Tejo, cujo projecto
estava em marcha e próximo o início das obra de construção, o que veio a
concretizar-se com a inauguração em 6 de Agosto de 1966. Na introdução de um
trabalho de Rafael Botelho, o célebre urbanista Robert Auzelle, refere não só as
características exibicionistas da Arrábida, mas igualmente transcreve as palavras
de um parecer dado a pedido do Ministro das Obras Públicas, em 1960, sobre um
outro plano de aproveitamento urbanístico da mesma região, o qual confessa não
ser exagerado, disse que consagra o massacre de um local excecional de
interesse nacional e internacional. Ao mesmo tempo Robert Auzelle, enaltece e
defende o plano do arquiteto Rafael Botelho. Foram várias as vozes que
classificaram a região da Arrábida, como o último vestígio da flora mediterrânica.
No Parque Natural da Arrábida, pertencem ao Estado pequenas áreas do território,
designadamente o Parque Ambiental do Alambre e a Mata do Solitário, atrás
referida. Toda a outra vastíssima área é pertença de entidades privadas.
(continua na próxima atualização)


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