top of page

Crónicas da Arrábida,,..

  • Foto do escritor: Nuno David
    Nuno David
  • 27 de fev.
  • 2 min de leitura

UMA RELÍQUIA INESTIMÁVEL...


As agressões constantes de que vinha sendo alvo nos últimos decénios, não

podiam deixar calar, apesar dos condicionalismos da falta de liberdade, os brados

de protesto. “Apesar do comprovado valor botânico e do significado ecológico

 que representa, consumou-se nos últimos anos, o massacre sistemático

do refúgio mediterrânico da Região da Arrábida”, escrevia-se na imprensa nos

primeiros anos da década de 70.


 

Ao contemplarmos hoje a Serra da Arrábida podemos deduzir aquilo que ela foi.

Os exemplos de alguns carvalhos cerquinhos ou carvalho português (Quercus

Lusitânica ) de grandes dimensões, dão-nos uma ideia sobre o que teria sido a

grandiosidade da floresta, hoje infelizmente muito reduzida.

Para além do corte feito para obter lenha e carvão, a grande ação destruidora ali

exercida durante décadas foi levada a cabo elas queimadas e pela pastorícia;

esta provocando aquelas.

Efetivamente as queimadas eram feitas com o objetivo de eliminar os arbustos e

provocar o aparecimento de herbáceas e dos próprios arbustos, que ao

rebentarem novamente, davam ramos mais tenros e portanto mais apetitosos

para os animais, designadamente, cabras, ovelhas e bois.

Certo é que as plantas sujeitas a este massacre incessante, desapareciam ou

transformavam-se, evoluindo para outras formas.

A vegetação que cobre quase a área da Serra da Arrábida, não tem paralelo

em qualquer ponto do País.

É um caso especial de interpenetração da flora mediterrânica no cortejo florístico

de tipo europeu, o qual se estende ao longo da costa atlântica, até à região da

Península de Setúbal.

Entre outras representações da flora típica mediterrânica, ali se encontram a

oliveira brava (zamujeiro) cuja a evolução resultou a oliveira cultivada, a

alfarrobeira e o medronheiro, juntamente com os carvalhais, a que se associam,

hoje em dia, cistus, urzes e trepadeiras que fazem da mata coberta um

emaranhado único no género, perfumado pelo alecrim e outras plantas

aromáticas.

É sabido que a floresta mediterrânica hà muito vem sofrendo a ação degradante da

presença humana, pelo que em vez de se apresentar com as caraterísticas

próprias do clima, que em cada região tivesse constituído, apresenta hoje formas

e variedades resultantes dessa ação.

Tudo aquilo que mais se aproxima do que teria sido esse tipo de floresta é

considerado, logicamente, uma relíquia inestimável que se tem a todo o custo

e obrigatoriamente de preservar, “por tudo”, por nós e pela

responsabilidade assumida com a comunidade científica internacional.

 

(continua na próxima atualização)

 
 
 

Comentários


Mantenha-se informado(a) com as novidades publicadas no Xetubal Site.
Subscreva a nossa newsletter semanal e acompanhe os conteúdos mais recentes, diretamente na sua caixa de entrada.

Serviço gratuito, com total respeito pela sua privacidade.

Email enviado!

FICHA TECNICA

Edição e coordenação de JoaQuim Gouveia (jornalista)

Produção gráfica: Catarina Branco

Revisora: Ana Santos

Email: xetubalsite@gmail.com

Contacto: 915 568 820

Sede: Setúbal

bottom of page