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Crónicas da Arrábida 8

  • Foto do escritor: Eng. Nuno David
    Eng. Nuno David
  • há 6 dias
  • 3 min de leitura

“ A Caça na Região da Arrábida “

 

A propósito de caça e situando-nos nos anos 70, salientamos que da Arrábida desapareceram o javali e o veado. Nos dias de hoje regressou o javali que constitui um grave problema...ainda por resolver! Quanto aos veados não se tem a certeza se foi introduzido ou era originário da região, sabendo-se que ali existiu em tempos, através do testemunho de uma cabeça de veado embalsamado, patente no Museu de Vila Viçosa e referenciado como tendo sido morto na Arrábida no início do século passado.



Por outro lado uma história colhida na região, um dos filhos do Duque de Aveiro, que viveu em Setúbal na época da dominação espanhola, teria morrido na Serra da Arrábida, vitimado por uma insolação quando perseguia gamos e veados. Ao longo de toda a nossa história  e apesar de algumas medidas decretadas no reinado de D. João II contra o lançamento de fogos e o abate de árvores, as matas da Arrábida foram sofrendo degradações sucessivas. Segundo afirmou o Professor Orlando Ribeiro (Mediterrâneo 1968), a floresta uma vez destruída não encontra naquele clima de chuvas concentradas condições favoráveis à sua reconstituição.

A fauna foi drasticamente empobrecida e certas espécies que se caçavam na área já dali foram erradicadas há muito.

A paisagem é reflexo de uma mentalidade e o seu empobrecimento fala-nos da ausência de uma filosofia de tolerância para com espécies que, coabitando sobre a terra, se revelam aparentemente competitivas para o Homem e de cuja supressão tarde ou cedo terá um reflexo. Aliás a abundância de coelhos na Arrábida é o resultado da eliminação ou redução drástica dos predadores com o consequente prejuízo para agricultura local.

Não podia deixar de fazer uma abordagem resumida das origens desta Região e das prospeções feitas por uma equipa do Centro de Etatigrafia e Paleontologia da Universidade Nova de Lisboa sob a coordenação do Professor Miguel Telles Antunes, feita no início dos anos 80 para o estudo da evolução das interações ocorridas desde tempos remotos, entre os seres vivos e o ambiente que então os rodeava, onde o papel do homem é fundamental (estudo paleo – ecológico). A Gruta da Figueira Brava, localizada na orla litoral sul, nas proximidades da conhecida Lapa de Santa Margarida, é uma das principais jazidas quaternárias portuguesas e de grande interesse Europeu. nos tempos próximos da última glaciação.



Revela muito sobre a vida dos últimos homens de Neanderthal nos tempos próximos da última glaciação.

A vida dos homens desse tempo baseava-se na caça e na recoleção, sobretudo moluscos, crustáceos e também aves, possivelmente grandes animais e certamente vegetais, embora estes sejam desconhecidos.

Caçavam cabra montês na serra, cavalo, auroque e veado na planície litoral, focas, golfinhos na costa e eventualmente rinocerontes e mamutes. Esporadicamente ocorriam fenómenos de canibalismo. Na época o clima era muito mais frio que atualmente, como indicam os restos de alguns animais encontrados, tendo como exemplo, a foca, hoje nórdica e  pinguim. Nessa época, viam-se também por outras paragens, animais como o leão das cavernas, a pantera, a hiena e o urso pardo. Este estudo iniciou-se em 1986, tendo já proporcionado grande volume de dados para o conhecimento da época.

(continua na próxima atualização)



NO DOMINGO MAIS UMA CAMINHADA "SINAPSYS"


Domingo no ponto de encontro, as alegres saudações matinais

de boas vindas a “

repetentes e aos novatos das caminhadas Synapsis.”

Todos devidamente apetrechados...água, merenda, roupa e calçado adequados.

Ao partir, uma breve saudação e descrição do itinerário escolhido, evidenciando

os aspetos mais relevantes. Por norma as caminhadas terminam a meio do dia.

Desde sempre que o espírito e a vontade que assistem à atividade, se pautam

pela partilha no gosto pela natureza, pelo usufruto das potencialidades que o

campo oferece em ações ao ar livre, tanto mais que , a região beneficia de forma

ímpar de múltiplas paisagens que caracterizam a envolvente da cidade, tanto na

montanha, como no rio e suas margens. Aliás, a atividade é feita em território que

constituem duas Áreas Protegidas, com os seus valores muito próprios nas

vertentes da paisagem, da flora da fauna e outros, todos muito distintos e que é

imperativo divulgar para melhor se proteger.

Somos de facto uns privilegiados!

Ora, o grupo a que cada vez mais se somam participantes de todas as idades,

respira estes valores e sente que os deve incentivar e usufruir.

É com muito agrado que se sente o entusiasmo e a satisfação dos que se vão

juntando a nós e partilham as Caminhadas Synapsis.

 
 
 

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