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Crónicas da Arrábida (9)

  • Foto do escritor: Eng. Nuno David
    Eng. Nuno David
  • 20 de mai.
  • 2 min de leitura

“Arrábida palco de atividades Indesejáveis (2)”


 

Os “advogados” do desenvolvimento turístico da Arrábida a qualquer preço, perante o fascínio do local e talvez não só, resolvem em dada altura, dar mais uma machadada na serra, ligando a Praia da Figueirinha ao Portinho da Arrábida por uma estrada marginal e desta forma, virem a existir possibilidades de mais degradação da vegetação e lixos associados aos veraneantes.

Também foi pensada a possibilidade da construção de hotéis em pontos estratégicos na serra e um luxuoso bairro de vivendas em toda a zona do Creio.

Felizmente este propósito não avançou, porque, entretanto, foi criada pelo Governo em 1971, a Reserva da Arrábida.

A abertura da estrada marginal veio aumentar sensivelmente os espaços de acesso às zonas adjacentes, nomeadamente às praias e áreas envolventes, ocupadas de vegetação, onde aconteciam fogos e erguer-se-iam barracas, que foram utilizadas com caráter definitivo, sem infraestruturas mínimas de permanência.

Estas atitudes cujas condições criaram riscos de saúde pública, e provocaram um grave desajuste na utilização daquele espaço, veio posteriormente a sofrer alterações com uma resolução drástica que perdura até os nossos dias.

Em meados dos anos 80 procedeu-se ao desmantelamento, retirada e limpeza, de toda aquela área de utilização indevida e desajustada, concluindo-se uma operação de alguma envergadura logística e firme propósito, cujo resultado final se pode concluir, como “a devolução da dignidade que aqueles espaços tiveram noutros tempos” e que era urgente tudo fazer, tal como aconteceu e se mantêm até aos nossos dias. Hoje que por lá passei, percorrendo o areal, vindo o mar até onde pode subir, reforço e homenageio todos aqueles que ajudaram, contribuindo com o seu esforço e determinação para ser e continuar, a referência de um dos mais belos “lugares de Portugal”.

Esta temática teve contributos muito curiosos e perspetivas distintas na abordagem.

Havia que defender interesses coletivos e até responsabilidades internacionais. A Liga da Proteção da Natureza, alertou as entidades responsáveis, tendo havido desenvolvida polémica na imprensa. O projeto do Arquiteto Rafael Botelho, adotou uma solução que harmonizava os problemas do desenvolvimento turístico com a relativa salvaguarda de Região. Para tal, criava duas espécies de raquetas rodoviárias, uma no Portinho, outra em Galapos, mas não estabelecia uma ligação por estrada entre ambas. A ligação limitava-se a um caminho para peões, como é uso próprio de um parque nacional ou reserva. Efetivamente já depois de apresentado o plano de Rafael Botelho em Agosto de 1971, foi publicado o decreto que criava a Reserva, mas a estrada já nessa altura em estado adiantado continuou a construir-se, apesar do próprio decreto o não consentir.

Desde os anos 50, que o maior empenhamento na defesa da Arrábida se assiste ao louvável esforço desenvolvido entre outros por homens como Orlando Ribeiro, Carlos Tavares, Baeta Neves, Almeida Fernandes, José Maria de Carvalho, José Gomes Pedro e Nascimento Teles, no estudo e em defesa da conservação da Serra da Arrábida.

Em 1974 com a revolução do 25 de Abril, reforçam-se os apelos feitos pelas individualidades referidas, destacando-se as entrevistas dadas pelos Eng.º José Gomes Pedro e Dr.º Almeida Fernandes aos órgãos da comunicação social da altura.

O primeiro é o autor do mais completo estudo que existe sobre a vegetação da Serra da Arrábida!

 

(continua na próxima atualização)

 

 

 

 

 

 
 
 

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