Crónicas do Miguel Assis (Simone...)

A “alma velha” por gostar de quem marcou a diferença
A SIMONE DE OLIVEIRA E O SEU INCONTORNÁVEL FASCINIO

Na primeira vez em que me lembro de ter a voz da Simone de Oliveira fiquei imediatamente encantado. Havia história, poesia e fascínio naquele timbre quente e rouco. Há muitos anos, ainda no tempo do vinil e das cassetes, percorri várias lojas de discos à procura de obras da Simone.
Nessa altura não encontrei nada para venda, mas numa discoteca pequenina, uma casa que já não existe, no Chiado, o dono da loja, por ter achado graça que um adolescente andasse à procura de algo "que não teria a ver com a minha idade", mandou-me voltar na semana seguinte. Quando regressei enrolou em papel de embrulho duas cassetes áudio, que ele próprio tinha gravado da sua discografia pessoal, ofereceu-mas e disse, com um sorriso, que eu tinha uma "alma velha".
Anos mais tarde, no final da estreia de "Passa por mim no Rossio", no Porto, o Carlos César fez o favor de ma apresentar. Lembro-me dele lhe ter dito esta frase: "Oh Simone, quero apresentar-te este estagiário da minha companhia que tem a nossa senhora no céu e a ti na terra". Ela sorriu, deu-me as boas noites e virou costas. Fiquei um pouco desapontado e meio perdido naquela sala onde todos se conheciam e eu não conhecia ninguém (comemorava-se os 50 anos de carreira da Eunice Munoz, a seguir ao espectáculo).
Uns minutos depois senti uma mão no ombro e uma voz que reconhecia das minhas cassetes: "Não me leve a mal, o Varela quis ir cumprimentar o senhor Primeiro-Ministro e fui acompanhá-lo. Mas então diga-me lá, que história vem a ser essa?"
Durante uma boa hora e no meio de tantos conhecidos foi a mim que a Simone, prestou atenção. Fui feliz nessa noite e a minha "alma velha" nunca a esqueceu. Que bom!

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