Crónicas do Zink (S. Trovante)
- Rui Zink

- 24 de jul.
- 1 min de leitura
HOJE É DIA DE SÃO TROVANTE

Um dos lados bons de um país com a nossa escala é que, mais cedo ou mais tarde, todos cruzamos os nossos ídolos pessoalmente. Por vezes antes de se tornarem património nacional. A primeira vez que vi o Luís Represas (vê-lo-ia sazonalmente dentro e fora de palco ao longo de meio século) foi como cavaleiro andante. Ele salvou-me de uns apuros tinha eu 13 e ele (presumo) uns 17. Junto ao gradeamento do Pedro Nunes, uns rapazes mais velhos foram estúpidos comigo, um até me apontou uma pistola (de alarme, mas o que sabia eu?), a coisa ia acabar mal, quando chegam os ainda mais crescidos Luís e o Manuel Faria a desenervar a cena com a segurança do Wyatt Earp e do Doc Holliday. Eram o epítome do cool quando a palavra cool ainda não era cool. Décadas depois, eram também 'gente normal', mesmo quando enchiam estádios e não era normal quem enchia estádios portar-se como gente normal. O Luís era em palco o mesmo que fora de palco. O eterno cabelo à candeeiro dos anos 70, o sinalzinho, o desassombro. E ainda há um par de semanas desafinei, como outros desafinados da vida, o refrão da espantosa musicação da Florbela:
"E é amar-te, assim, perdidamente
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando — a toda a gente"


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