Crónicas em hora de ponta
- Vitor Augusto

- há 6 dias
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A SEGURANÇA RODOVIÁRIA COMEÇA EM TODOS NÓS
A (in)segurança rodoviária é um dos maiores problemas de saúde pública em Portugal. A melhoria registada nas condições das estradas e na tecnologia dos veículos não tem sido acompanhada pelo civismo e urbanidade motivando estatísticas trágicas e imutáveis com registo de vítimas mortais e incapacidades por lesões provocadas por acidentes no tráfego.
Os atropelamentos representam um aspecto particular incidindo sobre a população idosa um predomínio de escalão etário atingido.
As medidas adoptadas no nosso país e na restante Europa, têm vindo a centrar a atenção nas vítimas e na sensibilização de automobilistas e peões salientando a qualificação das infraestruturas e dos veículos,, a assistência de emergência aos visados e a educação para a cidadania dos condutores.
Considerando o erro humano impossível de erradicar, as iniciativas devem ser promovidas no sentido de mitigar as consequências retirando a noção de inevitabilidade ao fenómeno.
O nosso quotidiano tem sido invadido nos últimos anos com relatos de atropelamentos no interior das localidades, atingindo diversos escalões etários e com impacto social, económico e individual cujos custos atingem proporções inaceitáveis.

O excesso de velocidade, a escassez de iluminação nas passadeiras, o défice de semaforização, a falha na vigilância em troços reconhecidamente com índice de perigosidade crítica, a falta de nitidez das marcas no pavimento, o uso de dispositivos como os telemóveis que, em estudos recentes em Portugal, apontam para cerca de 50% na via pública, enumeram algumas das causas de aumento do risco de ocorrência de eventos.
A instalação de radares de limitação de velocidade, de estratégias de luminosidade nas marcas pintadas nos arruamentos e na periferia das bermas, a promoção de campanhas para utilização de roupa com reflectores em zonas de menor visibilidade, a colocação de lombas redutoras de velocidade, lombas invertidas ou trapezoidais, criação de "ilhas" no centro das artérias citadinas, contadores de tempo nas travessias de peões, marcas paralelas ao eixo da via com ilusão de relevo, deverão presidir às preocupações de decisores políticos aproximando sinergismos entre autoridades policiais e a Autoridade Nacional da Segurança Rodoviária.
Portugal reconhece e assume que a insegurança rodoviária é um risco social quantificável, cuja dimensão é intolerável numa sociedade que procura a satisfação do bem-estar dos seus cidadãos.
O programa Visão zero (2020) organizado na Suécia implicava um mecanismo para a mudança afirmando que o propósito do sistema rodoviário é possibilitar a sobrevivência e práticas saudáveis para um indivíduo, em vez de promover a mobilidade dos utilizadores.

Segundo dados fornecidos pelas autoridades, 34 do total de atropelamentos que ocorreram na área de atuação da PSP, no ano de 2024, em Setúbal, aconteceram na área da União das Freguesias de Setúbal, S. Julião, N. Sra. da Anunciada e S. Maria da Graça. Os restantes 26 ocorreram na Junta de Freguesia de São Sebastião. De um universo de 60 atropelamentos registados, 40 ocorreram em passadeiras, resultando em um morto, dois feridos graves e um total de 76 feridos ligeiros
Aos órgãos autárquicos impõe-se a perspectiva de uma abordagem esclarecida e moderna no âmbito desta dramática realidade que assombra a qualidade de vida dos habitantes na proximidade dos estabelecimentos de ensino e de saúde bem como em áreas de maior tráfego. A despesa orçamentada resultará num investimento de alcance major sem descurar a educação das gerações mais jovens integrará linhas de construção de um futuro acolhido como presente para tempos vindouros.

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