Crónicas que o vento tràz (3)
- Alexandrina Pereira

- 20 de mai.
- 3 min de leitura
REDES SOCIAIS CONVERSAS AGRIDOCE...

Vivemos uma era de mudanças profundas que, tal como todas as mudanças, trazem consigo coisas boas e outras nem tanto. É inevitável; sempre que reflito sobre a forma de comunicar nos dias de hoje, faço um retrocesso na minha memória e vejo-me de novo uma criança a recordar como eram as nossas brincadeiras. A rua era o nosso espaço de convívio, de sonhos, de invenções (que nem sempre corriam bem), de zangas e de pazes, de choros e risos. Era o nosso mais bonito mundo de vivência e convivência, na mais pura inocência. Umas calças rasgadas por uma subida a uma árvore, uns pés descalços sujos de lama, ou uns arranhões, quais troféus perante os amigos, não era nada que não se solucionasse com um ralhete e um bom banho de água fria.
Hoje, as crianças (salvo raras excepções), vivem confinadas ao seu quarto onde o mundo e os amigos são virtuais. Os jogos na rua foram substituidos pelos inúmeros jogos no pequeno ecrã e que trazem consigo “a maldade” de viciar. As novas tecnologias transformaram completamente a forma como vivemos. Porém, no lado positivo todos sentimos que as redes sociais são uma ferramenta poderosa. Reconheço que têm um lado muito positivo e outro muito negativo. Lado positivo: através delas podemos reencontrar amigos que podem estar em qualquer parte do mundo e que pensávamos não voltar a ver. Temos acesso a notícias, debates e partilha de conhecimento sobre os mais variados temas. Dão visibilidade a causas sociais e a movimentos de solidariedade que podem ter resultados positivos. Mas, como em quase tudo na vida, há o lado negativo e, para mal dos nossos pecados, este é um lado que muitas vezes se sobrepõe ao positivo. Quantas vezes surge uma notícia que se vai partilhando por se considerar ser do interesse colectivo, para mais tarde ficarmos a saber que afinal se tratou de algo que nunca aconteceu e que a real intenção apenas serviu para manipular a opinião pública ou criar alarmes falsos que podem causar angústias e medos. O que me (nos) preocupa no lado negativo das redes sociais e que pessoalmente considero o lado mais negro, é esta nova forma de estarmos conectados a um mundo onde predominam as ofensas pessoais, que surgem nos comentários após qualquer notícia com a qual não se está de acordo. O que deveria ser um espaço de partilha de informação e discussão construtiva, onde naturalmente as ideias não serão iguais, mas que poderiam ser emitidas com respeito perante opiniões diferentes, torna-se rapidamente num “estendal de ofensas”, onde ficam patentes o ódio, o racismo, a xenofobia, a humilhação, tudo num insulto gratuito e sem sentido. E quem assim ofende, sente-se como quem está atrás duma cortina espessa que não permite saber quem está por detrás dela. E muitos já nem se escondem no anonimato; usam o seu próprio nome por se sentirem protegidos pela distância fisica. Dizem o que não teriam coragem de dizer frente a frente.
Expresso neste artigo de opinião o que sinto de bom e de mau nas redes sociais, mas não pretendo terminar com o lado negativo em vantagem, e assim sendo, volto a referir que, apesar dos perigos que as mesmas representam quando se trata de desinformação ou de criticas sem fundamento, as redes sociais continuam a ser um espaço extraordinário de união e de transformação da sociedade, quando são bem utilizadas. Reconheço-lhes a capacidade de criar pontes e encurtar distâncias, atenuando a solidão de quem se sente mais isolado do mundo. Cada um de nós pode optar por se colocar ao serviço da intolerância e da maledicência, ou fazer parte de um mundo de pacífica e sã convivência em prol do Futuro. Como pessoa de bem, eu opto naturalmente por esta última, e muito prezo que os meus amigos também assim pensem. Continuemos então a nossa viagem em paz com a nossa consciência, e deixemos que os apóstolos da maldade se digladiem entre eles.

Nem mais, Alexandrina! 👏