RUI DO CABO LEVA OS “GATOS NO TELHADO” COM O FADO NA BAGAGEM
- Ana S
- 7 de out. de 2025
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Atualizado: 8 de out. de 2025
Texto – Joaquim Gouveia (jornalista)

Rui do Cabo é, seguramente, um dos nomes mais firmes e conhecidos das últimas quatro décadas no panorama musical da nossa cidade.
Parece ter nascido com vocação para o mundo que foi abrindo com sacrifício, gosto e orgulho e que acabou por conquistar com o denodo próprio de quem abraça o que ama e do seu amor faz um hino de inspiração reconhecido por todos.
Nunca foi de se lançar nas estradas ou embarcar em charters pelo mundo. Tem, naturalmente, alguns quilómetros percorridos entre as estradas do país e os céus que conduzem às comunidades portuguesas no mundo. Contudo o seu percurso foi sempre muito mais direcionado para estar entre o público da sua cidade e do concelho. E isso são opções que cabe a cada um definir.
Iniciou o seu trilho na música, talvez, com 15 ou 16 anos animando as noites de vários bares da cidade, onde já começava a despontar numa carreira diferente que lhe valeu agendas de espetáculos muito bem preenchidas. Foi, ainda, nome de top nos antigos bares da Torralta, em Tróia.
A sua voz, diferente e bem colocada emprestava-lhe já uma marca de qualidade. Mais tarde muitos chegaram a apontá-lo como um dos melhores cantores nacionais como é o caso do próprio Ricardo Landum, com quem trabalhou bastante em estúdio na gravação de vários CDs de música portuguesa.
O toque de mestria na viola completava atuações bem conseguidas para plateias que, continuadamente, o aplaudiam.

Mais tarde optou, também, pela produção musical levando-o a inaugurar uma editora musical e um estúdio de gravação (em parceria comigo), de nome RUQUISOM, que foi responsável por vários trabalhos de muitos artistas e outros projetos como os “25 anos do Teatro de Animação de Setúbal”, “Pelo Sonho é que vamos”, com a voz do conhecido ator Vitor de Sousa e ainda produções para empresas várias.
Gravou dois CDs de originais e videoclips. Passou nos principais programas de música e entretenimento que na altura resgatavam grandes audiências televisivas.
Mas com o passar dos anos, a maturidade subjacente aconselhou-o a percorrer o caminho do fado tornando-se, então, fadista e guitarrista (tal como o seu falecido pai).

Aprendeu as primeiras técnicas da guitarra com o saudoso e talentoso guitarrista/fadista Sidónio Pereira. Aperfeiçoou o método, criou um estilo e hoje é reconhecido tanto no nosso concelho, como nas casas de fado em Lisboa, onde chegou a ser privativo.
Nesta altura e porque ainda gosta de tocar viola elétrica e cantar umas rocalhadas, criou a nova banda “Gatos no telhado”, que esta noite promete realizar um grande concerto no Fest´Asso.
Porque trabalhei várias vezes com este enorme valor da nossa cidade e conheço, profundamente, todo o seu percurso e valia para a sua própria cultura, propus à Casa da Poesia, que levasse o seu nome à consideração de quem de direito no município, para que lhe seja, finalmente, atribuída a Medalha de Honra da Cidade, na classe Cultura, que por mérito e dedicação próprios tanto merece e, muito justamente, amigos e o seu público não deixarão de, uma vez mais o aplaudir.
Oxalá que os nossos vereadores conheçam ou, pelo menos, queiram conhecer o percurso de um dos mais notáveis artistas da nossa cidade e lhe concedam tal distinção.
Caro “padrinho” esta noite pagas um copo. De acordo?...


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