top of page

DIA DOS NAMORADOS

  • Foto do escritor: joaquimgouveia06
    joaquimgouveia06
  • 12 de fev.
  • 7 min de leitura

S. Valentim, cuida bem de mim…


 

“NÃO É O AMOR QUE JUSTIFICA TUDO!”

 


A propósito do Dia dos Namorados, do momento em que se trocam presentes, palavras de amor, promessas, abraços e beijos, falámos com a psicóloga Jessica Duarte, sobre a importância deste dia, quantas vezes, o ponto de partida para relações futuras e duradoras, noutros casos, situações perturbantes com preocupações acrescidas  e sustentadas entre a violência doméstica e o crime passional, que tem ceifado a vida a centenas de mulheres, homens e crianças no nosso país nas últimas décadas. Daí a importância do reconhecimento mútuo entre jovens enamorados das suas condições Intelectuais e mesmo culturais. Jessica Duarte alerta nesta entrevista que “o amor tem uma base biológica clara, envolve neuroquímica, vínculo e sobrevivência... mas não é apenas instinto (…) Amar não é só sentir, é também interpretar, escolher e regular”. A conversa surgiu como que um alerta neste Dia dedicado a S. Valentim, um bispo casamenteiro que foi executado por desobediência. Jessica Duarte explica as razões do amor, do desamor e da condição prevalecente onde o “gatilho” pode ser puxado a qualquer momento…

 

Joaquim Gouveia – O Dia dos Namorados, que se assinala no nosso país a 14 de fevereiro e no Brasil a 12 de junho, tem várias explicações, maior parte relacionadas com S. Valentim, um bispo do final da idade média que, reagindo a uma proibição do casamento por um Imperador romano que defendia a ideia de que os homens solteiros eram mais capazes para as guerras, continuou a sua missão de casamenteiro acabando por ser executado por desobediência, como era prática corrente naqueles tempos. O amor ficou sempre subjacente a este ato. No entanto serão muito poucos os jovens namorados conhecedores desta e outras lendas (?). O amor é algo como o ódio, ou seja, estão no nosso DNA e, tal como outros sentimentos, podem ser despoletados a qualquer momento ou o cérebro conhece as “regras” ao jogo?

Jessica Duarte – As lendas sobre o amor são tentativas (antigas e lindas), de explicar aquilo que não cabe só em palavras. Uma das que me lembro são sobre Orfeu e Eurídice... Orfeu desce ao mundo dos mortos para resgatar Eurídice. Consegue permissão para a trazer de volta, mas há uma condição: Não Olhar para trás. Mas, no último instante olha... Perde-a para sempre. Penso que transmite a ideia de que o amor exige confiança, o medo pode destruir até o que já foi conquistado. Mas para responder à sua pergunta, o amor tem uma base biológica clara, envolve neuroquímica, vínculo e sobrevivência... mas não é apenas instinto. O cérebro reconhece padrões, aprende regras relacionais e é profundamente moldado pela experiência. Amar não é só sentir, é também interpretar, escolher e regular.

JG – Há quem diga que hoje se começa a namorar mais cedo. Mas isso é ignorar, de certa forma, um comportamento, absolutamente, intrínseco à transição da infância para a puberdade, onde os desejos e necessidades sexuais são mais evidentes no corpo humano. Qual a importância do primeiro amor na vida dos rapazes e das raparigas?

JD – Penso que o primeiro amor tem um impacto estruturante. É muitas vezes o primeiro espelho emocional onde se aprende sobre intimidade, rejeição, desejo e pertença. Mesmo quando não permanece, deixa marcas importantes na forma como a pessoa se relaciona consigo e com os outros no futuro.


"O QUE MUDOU NÃO FOI O AMOR MAS SIM A FORMA DE VIVER MAIS AUTÊNTICA E VISÍVEL"



JG – Nos tempos que correm onde a “identidade de género” toma lugar na sociedade de forma, completamente, assumida e a lutar pela plena garantia nos Direitos Humanos de qualquer Constituição de leis de um país, este Dia dos Namorados é agora celebrado entre pares do mesmo sexo, trans, binários, etc. Mas em todo o caso o sentido da comemoração do amor continua a prevalecer. Como é que a psiquiatria e a psicologia enquadram este novo sentido que os humanos estão a dar às suas vidas e á própria globalidade?

JD – A psicologia e a psiquiatria acompanham esta diversidade como expressão legítima da identidade humana. O que mudou não foi o amor, mas sim a possibilidade de o viver de forma mais autêntica e visível. A saúde mental beneficia quando as pessoas podem existir sem terem de se esconder ou negar quem são.

JG – Poderemos afirmar que o amor é o mais nobre sentimento da liberdade e da democracia? É pelo amor que vamos, ou nos odiamos? É o amor que justifica a vida?

JD – O amor pode ser uma das expressões mais elevadas da liberdade, mas não é automaticamente nobre. Pode libertar ou aprisionar, cuidar ou ferir. Não é o amor que justifica tudo; é a forma como ele é vivido, com

responsabilidade e respeito, que lhe dá sentido.

JG – Neste dia tão especial e reconfortante para os namorados, não deveria estar implícito um aprofundar do conhecimento entre as pessoas como princípio, ou já mesmo, um meio mais alargado de questões que possam dar sinais da condição intelectual, cultural, social de cada um, como que prevenindo surpresas futuras que, infelizmente, bastas vezes, acabam em violência desmedida e, afinal, imprevisível?

JD – Sim, conhecer o outro em profundidade é essencial e dá trabalho! Pois exige compromisso! Relações sustentáveis constroem-se com diálogo, valores partilhados e capacidade de lidar com diferenças. Ignorar estes aspetos não previne conflitos, apenas adia, por vezes com custos elevados.




"A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA NÃO É UM PROBLEMA PRIVADO..."


JG – Quase nem faz sentido olhar para o Dia dos Namorados e falarmos em violência, mas a verdade é que a realidade assim o aconselha, para não dizer obriga. Ciúmes, dívidas, heranças, famílias, desemprego, droga, alcoolismo, enfim, tantas e tantas razões que levam à destruição dos casamentos. Sei que, embora o homem seja mais mortífero que a mulher, também ele é, grandemente, vítima de violência doméstica. Para além dos milhares de casos conhecidos existem muitos outros milhares que se escondem no medo e na vergonha. Associações como a APAV e outras têm realizado esforços significativos para que a denúncia nunca fique calada. É de segurança e leis mais elaboradas e credíveis que as vítimas sentem falta? Qual é o papel do Estado neste particular que, parece tão alheio de um problema complicado e preocupante?

JD – Os sobreviventes destas situações necessitam de segurança real, respostas rápidas e sistemas que funcionem de forma articulada. O Estado tem um papel central: proteger, prevenir, intervir e não desvalorizar. A violência doméstica não é um problema privado, é um problema social e de saúde pública.

JG – O papel dos psicólogos nestes processos é, deveras, importante. Mas, estou convencido, como cada caso é um caso diferente, isso obriga-vos a um intenso trabalho de estudo da vítima, da sua condição após a violência sofrida e, sobretudo, os traumas causados no foro psicológico e suas as repercussões na sua vida futura. Certamente, não será tarefa fácil, nem ligeira de abordar…

JD – O trabalho do psicólogo é exigente e profundamente individualizado, Implica compreender o trauma, ajudar a reconstruir o sentido de segurança e apoiar a pessoa sobrevivente na recuperação da autonomia e da identidade, muitas vezes profundamente abaladas.

JG – Quando existem crianças as coisas pioram…

JD – Quando há crianças, o impacto é ainda maior. Mesmo sem violência direta, a exposição deixa marcas emocionais significativas. Proteger as crianças é intervir cedo, apoiar os cuidadores e quebrar ciclos que tendem a repetir-se.



"O FUTURO EXIGE UM INVESTIMENTO SÉRIO NA SAÚDE MENTAL..."


JG – Nestes tempos de conturbação mundial, com guerras em direto nas televisões, com imagens inimagináveis por todos os meios de comunicação, de descontrolo da era digital onde não limites, nem regras e o ressurgimento de ideias chamadas de neonazis onde a mulher é, novamente, rebaixada a níveis insuportáveis, começa a ser muito difícil segurar numa só ponta da violência. O que mais preocupa os psicólogos, neste particular, relativamente, ao momento e ao futuro?

JD – Penso que a normalização da violência, a desumanização do outro e a perda de pensamento crítico. O futuro exige investimento sério na saúde mental, na educação emocional e na literária digital, para que o medo e o ódio não se tornem linguagem dominante.

JG – Concluindo como iniciámos. O Dia dos Namorados, pode, ainda, ser o Dia da Esperança?...

JD - Sim, O Dia dos Namorados pode e é um Dia de Esperança e Crença no Amor. Esperança num amor mais consciente, mais responsável e mais humano. Não perfeito, mas capaz de cuidar em vez de ferir.

 



Jessica Duarte (psicóloga)



Licenciatura em Psicologia Clínica (2003). OPP: Especialidade Geral em Psicologia Clínica e da Saúde e Especialidade Avançada em Psicoterapia. Pós-graduação em Psicoterapia de Crianças e Adolescentes. Pós-graduação em Psicoterapia Emocional e Bonding.

bro da Associação Portuguesa de Psicoterapia Emocional e Bonding. Experiência em avaliação e acompanhamento psicológico em IPSS, Centro Hospitalar Setúbal (ULSA), Lisboa (ULSAS), e consultório privado.

 

 

Psicóloga Clínica | Psicoterapeuta (Psicoterapia Emocional e Bonding / abordagem integrativa)

Cédula Profissional (OPP): 8227


CONSULTAS


Abordagem: psicoterapia integrativa com base na Psicoterapia Emocional e Bonding, centrada na reparação de necessidades emocionais básicas, na regulação emocional e na qualidade dos vínculos. O trabalho é orientado por um enquadramento terapêutico seguro, com atenção à história relacional, às emoções e ao corpo, promovendo maior equilíbrio psíquico, autoestima e capacidade de conexão.


Populações: Crianças / Adolescentes / Adultos


Focos:


Ansiedade, depressão e instabilidade emocional

Trauma e bloqueios emocionais; dificuldades de autorregulação

Autoestima, autocrítica e insegurança relacional

Dificuldades nos vínculos e relacionamentos (família, casal, contexto social)

Desenvolvimento emocional da criança; dificuldades de comportamento e ajustamento

Avaliação psicológica e acompanhamento clínico

Formação-chave: Licenciatura em Psicologia Clínica (2003). OPP: Especialidade Geral em Psicologia Clínica e da Saúde e Especialidade Avançada em Psicoterapia. Pós-graduação em Psicoterapia de Crianças e Adolescentes. Pós-graduação em Psicoterapia Emocional e Bonding. Sócia da Associação Portuguesa de Psicoterapia Emocional e Bonding. Experiência em avaliação e acompanhamento psicológico em IPSS, Centro Hospitalar de Lisboa, e consultório privado.


Notas clínicas (com enquadramento ético): quando clinicamente indicado e sempre com consentimento informado, pode integrar intervenções individuais e/ou de grupo. Quaisquer componentes de trabalho corporal/relacional são enquadradas por limites profissionais claros, consentimento explícito e adequação ao caso.


Ética e deontologia: sigilo profissional/confidencialidade, consentimento informado, respeito pela autonomia e não discriminação, de acordo com o Código Deontológico da OPP e princípios de proteção de dados; articulação com outros profissionais apenas com consentimento explícito da pessoa acompanhada.


Idiomas: Português | Inglês

Local: Setúbal | Online


Informações


Telemóvel - 927 031 206


Campo pequeno, nº 2, 4º andar, letra | D Lisboa


Praça do Bocage, nº 119, 2º andar | Setúbal 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
 

Comentários


Mantenha-se informado(a) com as novidades publicadas no Xetubal Site.
Subscreva a nossa newsletter semanal e acompanhe os conteúdos mais recentes, diretamente na sua caixa de entrada.

Serviço gratuito, com total respeito pela sua privacidade.

Email enviado!

FICHA TECNICA

Edição e coordenação de JoaQuim Gouveia (jornalista)

Produção gráfica: Catarina Branco

Revisora: Ana Santos

Email: xetubalsite@gmail.com

Contacto: 915 568 820

Sede: Setúbal

bottom of page