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EFEMÉRIDE RELEMBRADA

  • Foto do escritor: "xetubalsite"
    "xetubalsite"
  • 29 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

“SERRA MÃE” DE SEBASTIÃO DA GAMA

COMPLETOU 80 ANOS SOBRE O SEU LANÇAMENTO



Sebastião da Gama, o poeta da Arrábida, está a ser celebrado em Setúbal em 2025, pelos 80 anos da publicação de "Serra-Mãe", a sua primeira obra, lançada a 18 de dezembro de 1945, com exposições e eventos a decorrer na Biblioteca Municipal e na Casa-Memória Joana Luísa e Sebastião da Gama, em Azeitão, destacando a sua obra fundamental e a ligação à Serra da Arrábida. 

A Casa-Memória Joana Luísa e Sebastião da Gama acolhe a exposição temporária "Serra-Mãe: 80 anos", que estará patente até janeiro de 2026, e a Biblioteca Pública Municipal de Setúbal também tem uma exposição bibliográfica sobre a obra.

As iniciativas revisitam "Serra-Mãe", a obra que marcou o início da carreira de Sebastião da Gama, explorando o seu impacto e a relação do autor com a paisagem da Arrábida, através de edições, críticas, fotografias e outros documentos.

A celebração integra o ciclo "Autor do Mês" promovido pela Câmara Municipal de Setúbal, homenageando o poeta azeitonense. 

"Serra-Mãe" foi colocada à venda em dezembro de 1945, sendo a primeira obra publicada pelo poeta.

Em 2025, assinalam-se, portanto, 80 anos desde a sua publicação, um marco importante para a literatura portuguesa e para a figura de Sebastião da Gama, que dedicou grande parte da sua poesia à Serra da Arrábida. 

 

A FUSÃO DO HUMANO COM A NATUREZA


 

O primeiro livro publicado por Sebastião da GamaSerra-Mãe, reúne uma série de composições que tendem para a regularidade métrica, inspiradas pela permanência no Portinho da Arrábida, local propiciador do recolhimento poético e da celebração mística da Natureza. O próprio título sugere, como chave de leitura, a fusão do humano com a Natureza, a fraternidade de todos os seres franciscanamente abrigados pela Natureza-mãe, e aponta a serra como regaço maternal onde o poeta se refugia para recobrar tranquilidade e confiança. A par dessa linha de leitura composta pela exaltação da religiosidade da Natureza, desenvolvem-se composições onde a temática da morte iminente é sentida não sob o signo da desesperança, mas como o desfecho precoce de uma vida plenamente vivida ("Que a Morte, quando vier,/ não venha matar um morto./ Quero morrer em pujança./ Quero que todos lamentem / a ceifa de uma esperança", de "Cortina"; "De minha vida não sei/ senão que sou feliz", de "Claridade"). Reformulando a tradição lírica de Régio e de Sá-Carneiro, esta obra inaugural acolhe ainda poemas marcados pelo diálogo com Deus, onde a inquietação religiosa exprime, por vezes, a revolta e o pânico de perder a dádiva da presença divina ("não me roubes a Tua Mão, Senhor," de "Oração de Todas as Horas") e versos que reformulam, sobretudo na secção "Presença" de Serra-Mãe, o tema modernista de desdobramento do sujeito poético, num conflito entre o eu que se evade, confundido com a vida da massa vulgar e distraída, e o eu imbuído do sentimento de cumprir uma mi

 
 
 

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