Em jeito de “consentimento informado”…
- Álvaro Balseiro Amaro

- 6 de nov. de 2025
- 1 min de leitura
Álvaro Balseiro Amaro (texto)
Luis Cangueiro (foto)

Na turba das massas, que ora se movimentam em irregular ondulação, ou se acomodam na cobiçada bonança, o medo do desconhecido e o conforto da proteção constituem terrenos férteis e ambientes inebriantes para a doutrinação de qualquer espírito.
Arrebanhados, em grupo, amorfos, dissimulam o ceticismo na crença no conjunto, esfuma-se a individualidade, dilui-se a singularidade do espírito crítico, cede-se ao sentimento da insegurança, anseia-se um caminho seguro, embora desconhecido, com o olhar vazio, fixado num perorador, qual tribuno de serviço, num guia, qual “conductor”, … buscando sentidos num cântico tão estranho quanto reconfortante.
A preleção admitida, num silêncio dialogante ou dialógico. Que escolha, que assentimento é esse que te faz levantar o braço em mimese contagiante de uma escolha pré-estabelecida, decretada pelo medo?
O medo de sonhar o impossível, para alcançar o possível. O desafio do risco, das escolhas, de caminhos plurais aos molhos em trilhos desconhecidos… que te fazem livre, de ousar seguir outro caminho, descobrir, construir, errar, corrigir, cair, (re)erguer,…
É assim como quem está à beira de uma intervenção cujo sucesso não é garantido, o risco é sempre de quem assente. Vá lá, escolhe, é sopa ou sopa. Assina em branco e levanta o braço, em jeito de “consentimento informado”.


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