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Feira de Santiago (cheiros e alegria)

Foto do escritor: Alexandrina Pereira
Alexandrina Pereira
15 de set.
3 min de leitura

A Feira de Santiago e as minhas Memórias

 

FECHAR OS OLHOS E SENTIR OS CHEIROS E A ALEGRIA DA NOSSA ANTIGA FEIRA


 

“Ainda sou do tempo em que… (é assim que se começa a abrir o baú das nossas memórias). Memórias que se renovam quando se aproxima mais uma edição da Feira de Santiago. Decidi fazer uma viagem ao passado e recordar a Feira, que eu e tantos outros setubalenses (e visitantes), conheceram, quando a mesma ainda se realizava em plena Avenida Luísa Todi. Dizer “vamos à Feira” era o ponto alto do ano. Naquele tempo não havia ecrãs, nem redes sociais; havia a azáfama de escolher a melhor roupa para ir passear à Feira e o ponto de encontro marcado era sempre na entrada principal. As vozes a as músicas dos feirantes anunciando mais uma rodada numa tômbola donde sairia uma caneca ou um peluche. Quem não se lembra do “carrossel do oito” com as suas voltas e mais voltas, com os seus animais de madeira que subiam e desciam numa velocidade que nos parecia vertiginosa. E a adrenalina de assistir às acrobacias do “Poço da Morte”? Que momento arrepiante quanto inesquecível. E os cheiros e os aromas que também fazem parte das nossas memórias? Podíamos fechar os olhos e saber exactamente onde estávamos perante o cheiro intenso do polvo assado, as tasquinhas onde se pedia um copo de vinho ou uma imperial bem fresquinha, as filhós e farturas sempre polvilhadas com açúcar e canela que vinham enroladas em papel pardo (creio que os jovens nem sabem que papel é este) e não em caixinhas ou sacos de plástico como agora. O torrão de Alicante, lembram-se? O algodão doce, aquela nuvem colorida, que torna ainda mais doce a alegria das crianças, que com o brilho no olhar perante tantas luzes coloridas, os balões de cores fortes e com figuras de animais, parecia que viviam um sonho. Mas a verdadeira viagem ao passado, percorre a Avenida Luísa Todi, com as longas filas de peças de barro, de madeira ou cortiça que ali permaneciam mais umas semanas, mesmo depois de todas as diversões terem ido embora.

A Feira de Santiago não era apenas diversão. Ali também se mostrava o comércio tradicional. As bancas dos “tendeiros” com as colchas, os cobertores, as toalhas…

“Recordar a Feira do passado” não me impede de acrescentar que, com o passar dos anos tudo tem forçosamente que mudar. Sinceramente, em minha opinião, a Feira de Santiago, não pode (nem deve), voltar à Avenida Luísa Todi. Onde estacionar tantos carros? Onde instalar os espaços de diversão? A Feira cresceu e modernizou-se. Pode não estar no lugar ideal mas, em qualquer lugar menos dentro da cidade, sendo sempre de considerar quaisquer outras opiniões, que muito respeitarei.  A minha “viagem ao passado” é apenas um reviver de memórias que me levam a sorrir, porque relembro a minha felicidade quando regressava a casa com um alguidar, um fogareiro ou uma panela em miniaturas de barro. É disso que sinto saudades. Vivenciando essas experiências nos anos 60, 70… basta fechar os olhos para rever e sentir o doce sabor da infância que embora carenciada, é certo, mas tão feliz quanto a natural inocência o permitiu.

A Feira de Santiago pode mudar de sítio, mas as nossas memórias ficam sempre no mesmo lugar. Tenho efectivamente saudade desses dias de alegria natural para qualquer criança. Não confundir com saudosismo, isso NUNCA!

Foi da comparação entre essas vivências passadas e as actuais que me inspirei quando escrevi o Hino da Feira de Santiago, para a música do saudoso Maestro Rui Serodio: “Vamos lá p’rá Feira/ a melhor maneira/ de uma noite bem passada. Vamos lá p’rá Feira/ pois não há fronteira/ p’rás conversas animadas.”

Com alguma nostalgia e muita confiança no futuro, VAMOS Á FEIRA!

 
 
 

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