Grande entrevista (Osvaldo Picoito)
- Joaquim Gouveia

- 20 de mai.
- 7 min de leitura
Já postou no Facebook, mais de meio milhar de temas musicais cantados por si
"BEM VINDOS AO MEU MUNDO DA MÚSICA!"
Ainda não está inscrito no Livro dos Recordes, mas dada a quantidade de videos já postados por si no Facebook e que ultrapassam nesta altura o meio milhar, onde aparece na interpretação de outros tantos temas musicais, talvez um dia mereça a atenção dos responsáveis do Guiness Book e, nessa altura se saberá, se Osvaldo Picoito, detém mesmo o recorde mundial de interpretações de temas musicais portugueses e internacionais, até pela sua facilidade em cantar em 5 línguas diferentes. De qualquer forma e mesmo que essa hipótese não se confirme, não conheço no país facto tão inédito e, absolutamente, "fora da caixa", como agora sói dizer-se. Mas o´ânimo, a alegria, a felicidade e o bem-estar que esta actividade diária lhe proporciona são, por si só, motivo que se regista com agrado e que Osvaldo Picoito, não dispensa, apesar de considerar que não viverá o tempo necessário para cantar todas as canções que conhece porque, como diz em jeito de brincadeira "não acredito na reencarnação e necessitaria de uma segunda vida para conseguir esse objetivo". Por esta afirmação, percebe-se que este homem é um autêntico catálogo infindável(?), de temas musicais que conhece e sabe interpretar. Na entrevista que abaixo proponho, conheça Osvaldo Picoito e um percurso de vida onde o prazer de aproveitar cada dia com felicidade, lhe tem garantido trilhar caminhos tão diversos onde a base acenta na música e no gosto de assistir a grandes espetáculos musicais. Foi coralista no Coral Luisa Todi e, mais tarde fundador da Associação Setúbal Voz. Passe pela sua página do Facebook e entre no mundo da música do meu entrevistado.

Joaquim Gouveia – Você conseguiu de forma muito original dar um sentido diferente, divertido e lúdico a uma rede social como o Facebook, geralmente, pouco abonada em termos de elogios. Já são mais de 500 vídeos de interpretação de outros tantos temas musicais. Como se fermentam ideias tão agradáveis?
Osvaldo Picoito – Tudo se resume ao meu gosto pela música desde a minha infância. E quando me foi possível aceder às músicas, em casa, através de karaokes, foi um mundo novo que se me abriu e que se traduziu neste pensamento: - espera lá, agora posso cantar as músicas que sempre me acompanharam, sem ser por cima do original? E desatei a gravar, pois dá-me imenso prazer cantar acompanhado por versões instrumentais muito parecidas com os originais.
Joaquim Gouveia – Pelo que vou observando a sua plateia cresce de dia para dia. Nota-se que esta sua iniciativa veio ao encontro de momentos de descontração e bem-estar entre os frequentadores do Facebook, onde me insiro. Naturalmente, o Osvaldo, percebe o valor desta sua prestação em termos de importância para amigos e outros aderentes…
Osvaldo Picoito – Como referiu, já partilhei no Facebook mais de quinhentas músicas cantadas por mim. Mas tenho consciência de que a maior parte dos meus amigos mais antigos estarão cansados de me ouvir, o que é perfeitamente natural. Mas não me importo, pois ainda tenho uma boa quantidade de amigos que me ouvem e vão manifestando o seu agrado através de likes e de comentários.
Joaquim Gouveia – Você tem um repertório muito mais completo que a mais completa Juke Box, em termos de músicas. Canta de tudo um pouco em pelo menos quatro línguas: português, espanhol, francês e inglês. Sente-se um cantor privilegiado em termos de diversidade interpretativa?
Osvaldo Picoito - Para além dessas, canto também em italiano. A facilidade de cantar em todas essas línguas vem do facto de, desde sempre, ouvir músicas nesses idiomas. E sim, o meu repertório é vastíssimo. Para além de todas as músicas que já gravei e publiquei, tenho muitas mais que pretendo gravar. No entanto, sei que não terei tempo para as gravar todas. Não acredito em reencarnação mas costumo dizer (na brincadeira). que precisava de uma segunda vida para atingir aquele objectivo. Mas é, de facto, um previlégio ter facilidade em cantar em várias línguas.
Joaquim Gouveia - O que mais me fascina, devo confessar, é o facto de constatar que você conhece tão grande número de temas musicais e é capaz de os interpretar tal e qual os originais. E não me admiro, neste momento, que o número aumente ainda mais. Como aconteceu decorar tantas melodias e até onde chega essa sua capacidade tão peculiar? Ao milhar de canções?...
Osvaldo Picoito – As músicas que canto estão gravadas na minha memória tal qual as ouvi. Como não tenho tempo para ensaiar aquelas que pretendo gravar, canto-as tal qual as memorizei. As alterações que lhes introduzo destinam-se, na maior parte, para contornar a dificuldade em cantar músicas cujos originais são num tom mais alto do que o da minha voz. Eu apenas tenho decoradas as melodias. Quanto às letras, sirvo-me dos karaokes. Não sei se conseguirei chegar às mil músicas pois, com o avançar da idade, a voz vai perdendo qualidade e eu quero parar antes de isso acontecer.
Joaquim Gouveia – As músicas de apoio reproduzidas pertencem apenas a discos de karaoke ou, também, a bases de dados musicais, por exemplo? Ainda há-de custar uns belos “cobres”…
Osvaldo Picoito – Actualmente é muito fácil obter os karaokes no YouTube. Está lá quase tudo. As músicas portuguesas são mais difíceis de obter. Também compro algumas mas, para aquelas músicas que quero muito cantar e não encontro no YouTube, já tenho recorrido à IA, para eliminar a voz do original, obtendo apenas a parte instrumental. O YouTube, permite ajustar o tom das músicas e a velocidade de reprodução, o que facilita muito a interpretação.
A Associação Setúbal Voz tem feito um trabalho extraordinário, sem paralelo, em prol da cultura na cidade de Setúbal.

Joaquim Gouveia – Será possível um dia vir a integrar o livro dos recordes “Guiness Book”? Não tenho a certeza de que existam muitas outras iniciativas neste género de reprodução de vídeos cantados por um amador, pelo menos com o número de interpretações já produzidas. Gostava que isso viesse a acontecer?
Osvaldo Picoito – De facto, não conheço nenhum caso idêntico ao meu, com tantas músicas publicadas. No passado dia 01 de Abril, a minha mentirinha no Facebook relacionou-se com o facto do Guiness Book, me ter contactado no sentido de considerarem a minha inclusão no livro dos recordes. Acharia piada se isso acontecesse, mas não tenho esse objetivo.
Joaquim Gouveia–Falemos agora da sua experiência enquanto cantor fora desta iniciativa. Sei que de momento pertence ao Coro Setúbal Voz. Antes disso qual é o currículo do Osvaldo Picoito, nos palcos que lhe permitiu ser agora um intérprete tão experimentado?
Osvaldo Picoito – Em Luanda, fui vocalista de um conjunto musical de jovens. Eram “Os Trogloditas”, nome inspirado no grupo inglês “The Troggs”. Durou pouco pois, entretanto, chegou o serviço militar. De 2007 a 2016 cantei no Coral Luísa Todi. Em 2016 fui um dos fundadores do Coro Setúbal Voz, onde passei a cantar. Interrompi a minha participação neste coro em 2020, devido à Covid e, por razões familiares, nunca mais voltei a cantar no Coro. Para além disso, tenho um grupo de amigos com quem, durante oito anos, fomos regularmente animar as tardes na Casa do Professor de Setúbal. Cantar naquela instituição era algo que nos dava imenso prazer, mas o Covid fez-nos parar e ainda não retomámos esses belíssimos momentos.
Joaquim Gouveia–A Associação Setúbal Voz (ASV), é um projeto artístico com base no canto lírico, na música e artes contemporâneas. Como avalia o trabalho desta autêntica companhia, também, dedicada ao canto coral, onde você se integrou?
Osvaldo Picoito – A Associação Setúbal Voz tem por finalidade o ensino, a prática, a divulgação, o desenvolvimento e a promoção das artes em geral, nomeadamente da música, do canto, e do canto lírico em particular, desenvolvendo as actividades culturais, artísticas e recreativas que prossigam esses objectivos, sendo as suas estruturas fundamentais o Coro Setúbal Voz, o Ateliê de Ópera de Setúbal, o Ateliê de Musicais para Jovens e a Companhia de Ópera de Setúbal. A ASV é uma Entidade de Utilidade Publica, financiada pela República Portuguesa-Cultura, Juventude e Desporto e Direcção Geral das Artes. Tem o Alto Patrocínio do Presidente da República e da Assembleia da República. Tem ainda uma parceria estratégica com o Município de Setúbal e apoios de diversas entidades. A ASV tem feito um trabalho extraordinário, sem paralelo, em prol da cultura na cidade de Setúbal.
Vivo rodeado de música, mas tenho uma frustação enorme por não saber tocar um instrumento que poderia ser piano e/ou viola

Joaquim Gouveia– Entendo que o Osvaldo é um grande admirador do mundo do espetáculo. Que artista, musical, filme, cantor, enfim, quais são suas preferências neste domínio de eventos culturais?
Osvaldo Picoito– Nos artistas, gostava de vários que já faleceram, mas as minhas preferências actuais vão para Meryl Streep e Robert de Niro. Quanto a filmes musicais, destaco Os Miseráveis, West Side Story e Jesus Christ Superstar. Noutro género de filmes, há imensos de que gostei, mas o meu preferido é Cinema Paraíso, porque, para além de uma bonita história, retrata cenas e ambientes que vivi na minha infância na Fuzeta, a minha terra. Quanto a cantores e grupos musicais preferidos, tenho imensos. Destaco Elvis Presley, The Beatles, Frank Sinatra, Tony Bennett, Tom Jones, Charles Aznavour, Ella Fitzgerald, Leonard Cohen, Beach Boys, Miles Davis, Luciano Pavarotti, Carlos do Carmo, Camané, etc., etc., etc.. Frédéric Chopin tem, em mim, um lugar muito especial. Gosto praticamente de tudo o que são eventos culturais.
Joaquim Gouveia – Para concluirmos esta nossa conversa e como que lhe deixando o “micro” aberto, convido-o a partilhar connosco o prazer que sente nesta sua aventura de cantar mais de meio milhar de canções e se será um bom remédio para a nostalgia, o desânimo ou, mesmo, a inércia, a partir de uma certa idade mais sénior…
Osvaldo Picoito – Centrando-me apenas na música, as minhas publicações dos meus vídeos no Facebook começam sempre com a frase “Bem vindos ao meu mundo, o da música”. Porque a música teve e continua a ter um papel importantíssimo na minha vida. Vivo rodeado de música, mas tenho uma frustação enorme por não saber tocar um instrumento que poderia ser piano e/ou viola. As canções que canto, gravo e partilho, são trabalhadas em minha casa, de forma muito amadora, sem grande qualidade de som, e com as limitações inerentes a viver num prédio em que o receio de incomodar os vizinhos limita em muito a forma como canto pois faço-o de um modo muito contido.


Muito interessante! Vou já procurar este cantor no Facebook. Que continue, por muitos anos!