Inciativas XETÚBALSITE
- "xetubalsite"

- 23 de abr.
- 5 min de leitura
“Xetubalsite” promoveu a iniciativa, o TAS deu-lhe acolhimento e lembrámos a importância do saudoso amigo e ator Luis Aleluia, na homenagem do Dr. Luis Paulino Pereira
QUANDO OS "VALORES" AINDA VALEM A PENA!

Foi com a amizade e bom acolhimento habitual dos setubalenses, que na tarde do passado sábado promovemos o lançamento do livro do nosso conterrâneo Dr. Luis Paulino Pereira, "Dos palcos da vida até à Casa do Artista", numa homenagem ao nosso saudoso amigo e ator Luis Aleluia e que trouxe até à sala do Teatro de Bolso Carlos César, o ator e presidente da Casa do Artista José Raposo e Zita Aleluia (viuva do malogrado artista), a que se juntaram Duarte Vitor e Célia David, diretores e atores do Teatro de Animação de Setúbal.
A iniciativa foi do "Xetubalsite", que, paulatinamente, verificamos, vai fazendo alguma diferença nos indices de literacia cultural e lúdica não só em Setúbal, mas pelo país e pela nossa Diáspora.
No nosso encontro estiveram várias amigas e amigos de todos nós o que nos deixou de coração cheio pela expressão de interesse manifestado pela apresentação do livro em destaque, a saudade que Luis Aleluia, deixou em todos e pelo convivio com os palestrantes no final de tão bonito como agradável momento.
Em nome do "Xetubalsite" aqui deixo um fraterno abraço de reconhecimento à nossa iniciativa, augurando ao Dr. Luis Paulino Pereira, a continuação do seu excelente trabalho como diretor clinico da Casa do Artista, encontrando novos motivos para nos voltarmos a envolver numa sua nova obra literária. Ao ator José Raposo, pela disponibilidade em estar connosco não só como presidente da Casa do Artista, mas, essencialmente, pelo valor da iniciativa que resultou, também, num reconhecimento ao seu colega e amigo Luís Aleluia, que, como fez questão de salientar “falta promover uma grande homenagem não só ao extraordinário ator que foi mas, também, ao homem que se distinguiu na amizade, na solidariedade e na bondade”. Falar na nossa Zita Aleluia, que esperamos, ter confortado, de alguma forma o seu coração na confirmação de que o seu Luis, estará, sempre por sempre, connosco e na forma como aceitou prontamente tanto a iniciativa como a sua presença na mesma.

Ao Duarte Vítor e à Célia David, diretores e atores do Teatro de Animação de Setúbal, agradecemos o acolhimento imediato à iniciativa disponibilizando a sala Carlos César e as suas presenças para lembrar Luis Aleluia, que iniciou a sua formatura e profissionalização no teatro precisamente no Teatro de Bolso.
Obrigado a todos!
“Dos palcos da vida até à Casa do Artista”
DOS PALCOS SEM PALMAS ÀS PALMAS QUE NOS MERECE!
Joaquim Gouveia / crónica literária

Narrativas apoiadas em testemunhos reais, compostas por circunstâncias que se percebe ao pormenor pela riqueza das descrições, gente, factos, momentos que nos transportam a um mundo individual de um escritor que aprendeu a coletivizar a sua vida ao sabor de cada encontro e no desfrute de dias intensos onde conhecimento e partilha andam de mãos dadas, são cúmplices.
Desde muito jovem e depois de iniciar os primeiros passos na escola primária, o meu pai falava-me na “Cartilha Maternal” do poeta e pedagogo João de Deus. E embora nunca a tivesse utilizado porque já não fazia parte dos manuais escolares daquele tempo, o exemplo que o meu pai me queria passar era o da importância desta cartilha no gosto pela língua, pela palavra e pelo aprender, sobretudo, pelo aprender!
No caso do livro em questão, “Dos palcos da vida ate à Casa do Artista”, a Cartilha Maternal, aplicada à sua leitura e compreensão, permite-nos sentir o gosto pela escrita (língua), o sentido de cada palavra e a aprendizagem que nele se descobre quando no final damos por nós a entender que existe um conteúdo, inteiramente, pejado de relatos tão vivos e emotivos que, quase, nos provocam o desejo de, em certos momentos, ter estado na “pele” do autor, como temos por hábito dizer.
É que as descrições aqui narradas têm um sentido de felicidade, de alegria, mas também de tristeza, é verdade. Contam estórias verídicas, encontros fortuitos, uns, programados, outros, levam-nos por caminhos distintos onde o autor construiu a sua vida e a sua carreira, primeiro como médico de proximidade ao serviço das famílias e, depois, já no Serviço Nacional de Saúde.
Explica vantagens e deficiências que devem, urgentemente, ser corrigidas no SNS, confessando-se um defensor deste serviço que é, na opinião generalizada dos portugueses, a maior conquista pós 25 de abril 74.
O autor, clínico experiente e conhecedor dos males dos seus pacientes, alerta para o cuidado, a atenção e o carinho que qualquer médico, antes de intervir diretamente na doença, deve prestar. Há gente carenciada apenas de um abraço, não é assim caro Dr. Luís?...
Fala-nos um pouco da sua infância e juventude, em Setúbal, sua terra natal e elogia os pais que sempre admirou.
Mas é nos capítulos dos tais encontros com artistas, encenadores, empresários e muita gente do teatro, uns muito conhecidos do público, outros mais escondidos, que nos mostra a razão deste seu novo livro, ainda mais depois, por circunstância do seu percurso, ter passado a ser conhecido como o “Médico dos artistas”, ainda antes de ser, desde há 5 anos, o Diretor Clinico da Casa do Artista, em Lisboa, que descreve, também, nesta obra como uma das suas grandes e inspiradoras experiências a vários níveis.
Fala-nos com emoção de todos os que conheceu. Recorda os bons e os menos felizes momentos com cada um deles, até chegar à homenagem que quis prestar com esta sua obra ao saudoso ator Luís Aleluia, com quem teve uma relação privilegiada. Aliás, atrevo-me a afirmar que o Luís, teria muita estima por este seu bom amigo médico e escritor. Uma convicção que assumo me pertencer pela forma como as palavras a si dirigidas são colocadas com o respeito e a dignidade que o inesquecível ator bem merece.
Com tudo o que já tentei passar desta obra, devo alertar que se trata de um autêntico elixir da felicidade e do bem-estar. E isso justifico partindo do princípio de que todas as descrições aqui consideradas sobre cada paciente, cada artista, cada momento, não são feitas em bicos dos pés, nem em cima de cadeira, ou de megafone na mão. Não existe, sequer, a tentação do autor em se elevar naquilo que poderia querer transmitir-nos, com vaidade, que só estaria ao alcance dos grandes “exemplos” da cidadania comunitária. Nada disso e bem pelo contrário!
Em todas as páginas desta obra, de fio a pavio, o autor entrega-nos uma autêntica “Cartilha da Partilha”, que acontece quando os atos, os momentos, os encontros geram e nos passam felicidade. O Dr. Luís Paulino Pereira, bem se pode sentir o homem mais feliz do mundo porque, como nos descreve e eu assim o entendo, tudo o que a sua vida lhe deu foi para seu usufruto de um crescimento pessoal e, quiçá, espiritual, que nos mostra com alegria e nos convida a perceber que a verdadeira saúde não está, apenas, no facto da ausência de doença, mas sim num completo bem-estar físico, mental e social. E isso está recomendado nesta obra como a melhor receita para tomar, não apenas após as refeições, mas ao longo de todos os dias.
Pois, por mim, recomendo a leitura desta tão notável, como simples obra, que traz, afinal, a receita incluída.
Parabéns, Dr. Luís, também em nome do meu saudoso “irmão” Luís Aleluia, de todos os que necessitam de cuidados médicos e dos artistas nacionais.
Há livros assim!

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