top of page

Malena Martins na primeira pessoa

  • Foto do escritor: joaquimgouveia06
    joaquimgouveia06
  • 9 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

Do largo da Portuguesa, em Setúbal, até ao campos de Santiago do Cacém , uma infância feliz e contemplativa



“Nasci no antigo largo da Portuguesa (hoje largo da Associação dos Socorros Mútuos Setubalense) e aos 3 meses os meus pais foram morar para a avenida 5 de Outubr,o onde residi ate o tremor de terra de 1969, que  danificando muito a nossa casa.  Como tenho um sono ligeiro desde sempre, senti o seu inici e acordei o prédio inteiro e todos correram para ficar a salvo.  Tenho ainda uma lembrança traumatizante desses momentos... Depois houve em Setúbal, uma enorme falta de casas para habitar e acabámos encontrando casa no bairro Salgado, na  rua Rodrigues de Freitas. 

Logo a seguir parti para França, deixando os meus pais aqui.

Da infância lembro as brincadeiras no largo do Paulinho. As desculpas para ir brincar que passavam pela minha avó paterna a Dona Violante, uma senhora que veio de raias de Andaluzia e sempre pronta a me fazer todos os caprichos que eram contra a vontade de minha mãe...

Lembro que comecei a ter aulas de música com o meu tio João Júnior, que tocava guitarra para todas as Cégadas da cidade e era o galã das fadistas da época e que. Também, que me inspirou a cantar as músicas de fados e marchas daquele tempo.  Quando a minha mãe não me deixava ir brincar no Largo com os amiguinhos ía cantar para a janela numa gritaria tão desafinada que, os homens que jogavam dominó e cartas nas esplanadas das tabernas do largo, não conseguiam escutar-se.  Então perguntavam quanto queria ganhar para calar a boca, ahahah… Mas eu tinha já uma tarifa,  vinte cinco tostões.  Era o preço do bolo de Pão- de -Ló húmido que a Pastelaria Beija Flor, fazia e que eu comprava para oferecer à minha mãe.  Cada vez que eu precisava fazia esse negócio de chatear cantando a "Lisboa Antiga", ou "Pequeña flor" em Castelhano. Faz favor, héhéhé… Foi assim que comecei a ganhar dinheiro cantando, embora esafinada até hoje...   


  

Da música que estudei durante três anos restou um Acordéon lindo. Um Paolo Soprani - Madame II, apodrecendo numa dispensa que o meu pai acabou dando a um amigo porque eu queria era um Piano. Mas continuo a gostar muito de música e a não tocar nada.  De cantar não digo nada porque de vez em quando dou duas notas certas!...

Tive uma infância bem feliz e preenchida entre Setúbal e Santiago do Cacém, na propriedade dos meus avós maternos.  E aí era o paraíso para mim onde brincava com os meus primos e andava nos cavalos, nos burros e nos bois e ia buscar água às nascentes.  Aprendi muito da flora, das abelhas, dos animais, das plantações e das estações do ano.  Aprendi tudo o que os meninos de hoje não sonham existir e que me deu bagagem sábia para toda a minha vida amando a Natureza e respeitando o seu saber. 

Como os legumes e os frutos de cada época e aprecio o seu sabor como um dom que a natureza nos oferece. Sinto-me muito grata a tudo o que conheci e me foi dado herdar da minha família”. 

 

 
 
 

Comentários


Mantenha-se informado(a) com as novidades publicadas no Xetubal Site.
Subscreva a nossa newsletter semanal e acompanhe os conteúdos mais recentes, diretamente na sua caixa de entrada.

Serviço gratuito, com total respeito pela sua privacidade.

Email enviado!

FICHA TECNICA

Edição e coordenação de JoaQuim Gouveia (jornalista)

Produção gráfica: Catarina Branco

Revisora: Ana Santos

Email: xetubalsite@gmail.com

Contacto: 915 568 820

Sede: Setúbal

bottom of page