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Natal no Alentejo

  • Foto do escritor: José - António Chocolate
    José - António Chocolate
  • 9 de dez. de 2025
  • 1 min de leitura

Natal doutros tempos


Eu sou do tempo em que se cantava ao Menino.

Em que não havia Pai Natal

e o Menino descia p’la chaminé

à meia noite em ponto.

Onde o sapatinho nos saía do pé

e a um canto se acomodava, pronto

a receber a prenda habitual.

Bombons em prata colorida

tal qual nossos olhos como estrelas brilhando

na negrura da noite, esperançando a vida.


Sou do tempo em que se prendava

filhós e azevias e rosetas

polvilhadas de açúcar e canela.

Em que se rufava a ronca

entoando louvores ao excelso e ao infinito céu.

Onde a família galhofava reinadia,

à lareira por dentro a noite fria.


Sou do tempo em que a nossa aldeia

tinha a dimensão do mundo

e o mundo se fazia de todos nós.

Em que o presépio se construía

com musgo catado pelas nossas mãos

e uma searinha feita em caco de barro

se oferecia a Jesus.


Desse tempo em que gente devota

na Missa do Galo cantava, louvando

o Menino que nasceu, símbolo do ano inteiro.

Do tempo em que só um dia era Natal".

 
 
 

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