No país do Arco da Velha (2)
- "xetubalsite"

- 20 de mai.
- 2 min de leitura
Isabel Silvestre é a figura em destaque
Cantares de Manhouce evocam
o trabalho, a festa e as devoções

O Grupo de Cantares de Manhouce é um grupo de música tradicional fundado em 1978, na localidade portuguesa de Manhouce, São Pedro do Sul.
Teve como antepassado o Rancho Folclórico de Manhouce, criado em 1938, no contexto do Concurso da Aldeia Mais Portuguesa de Portugal, onde apresentou, na visita do júri, os cantares: Ó Prima Vamos P’ra Ceifa, Cachopas Olaré Cachopas e as danças Vira da Aldeia, Tirana e Tareio.
O rancho folclórico, embora com escassas atuações, manteve-se em atividade até 1960. A partir daí, devido à grande emigração, as danças deram lugar apenas aos cantares.
Isabel Silvestre, voz bem conhecida do público nacional, juntou-se a outras duas mulheres para cantar a três vozes (o baixo, o raso e por riba), como é habitual naquela zona. Isabel Silvestre, era a solista principal.
A carreira do grupo teve início com a participação no Festival de Folclore do Algarve, em 1978, a convite da Região de Turismo do Algarve.
A oportunidade para gravar surgiu após uma atuação do grupo em Lisboa. O primeiro disco, Cantares da Beira, foi editado em 1982.

Os cantares
O Grupo de Cantares entoa, espontaneamente, cantigas tradicionais da sua terra que têm como principal característica serem cantadas a três vozes: baixo, raso e por riba, sem acompanhamento musical. Outras há que são acompanhadas por uma tocata.
As cantigas de Manhouce, versam três temas fundamentais: o trabalho, a festa e as devoções.
A riqueza das suas cantigas foi reconhecida por musicólogos e etnólogos como Armando Leça, Fernando Lopes Graça e Michel Giacometti, que as recolherem, estando algumas registadas no Cancioneiro Popular Português.

O repertório
O Grupo de Cantares, apresenta dois tipos de repertório: um que abrange a composição completa do grupo, onde se ouve a conjugação de vozes, a ligação entre elas, outro que tem por base a música popular religiosa, com expressão polifónica, entoada por vozes femininas.
Os trajes tradicionais de Manhouce, têm duas fases destintas: o trabalho e a festa. O traje de festa e romarias da mullher é garrido, luxuoso, composto por uma saia preta de armur com barras de veludo no fundo, presa abaixo da cintura com uma cinta de lã preta.A sobrepor a saia, um avental azul, verde ou castanho etc... de armur ou lã tambem com fitas de seda ou de veludo ao fundo. A blusa pode ser em tons claros ou em tons mais escuros, muito elaborada com renda e pregas no peito. Na cabeça usa lenço de seda, geralmente, em tons de amarelo oiro e em cima um tico chapelinho preto de veludo com penas. Todo esse traje é realçado por muito "oiro" que ela ostenta no peito. O homem veste calças e colete pretos, camisa de linho com acabamentos em azul ou verde, usa chapeu de aba larga.

Comentários