Novo livro em lançamento

Atualizado: 20 de set.
Maria Albina Martins Bartolomeu volta a lançar romance sobre o respeito e a violência
"MULHERES ABUSADAS. BASTA!
Noita de apresentação de Francisco Louça e Prefácio de Aguinalda Conduto

A Biblioteca Municipal de Setúbal recebe no próximo dia 26 do corrente mês, a apresentação da obra "Mulheres abusadas. Basta!", da escritora Maria Albina Martins Bartolomeu, a partir das 16h30 e com entrada livre. Trata-se do quarto livro da autora dedicado à causa da mulher. Francisco Louça, escreveu a Nota introdutória e a professora e escritora setubalense Aguinalda Conduto, assina o Prefácio e faz a apresentão pública do romance.
"NINGUÉM MERECE SOFRER ÁS MÃOS DE ALGUÉM"
Para melhor compreender o lançamento de uma nova obra sobre a falta de respeito e a violência que, inapelavelmente, ainda recai sobre a mulher, conversámos com a autora, afinal uma mulher que não cala uma voz sempre pornta, presente e disponível para continuar os principios que a emancipação da mulher ainda prevêm, mas que continuam sonegados e, quantas vezes, proíbitivos quanto às suas reivindicações. Pois que Maria Albina Martins Bartolomeu continue a iluminar os próprios Direitos Humanos, tão vilipendiados nos dias que correm e que, para já mereça, quer a presença de muito público neste lançamento como a venda do seu novo livro que desde já recomendamos.

Xetúbalsite - Os seus dois primeiros livros, são bastante regionais, a Biografia da família e um romance. Sente-se que tentou fugir de uma determinada “zona de conforto” e entrou por uma área mais complexa. O seu terceiro livro explora uma área ligada à psicologia, o egocentrismo e a realidade de que nenhum ser humano é uma ilha! Porque surgiu a ideia de escrever este livro?
Maria A. M. Bartolomeu - Senti um chamamento para escrever este livro. Tal deve-se ao facto de, por mais que se grite, BASTA, os seres humanos continuam a não compreender que respeito gera respeito. Preocupo-me muito com a pouca paz que existe em muitos relacionamentos. Há uma forma pouco salutar, ou seja, pouco respeitosa, no convívio entre a maioria dos seres que se relacionam. Os namoros, existem, e devem continuar a ser o caminho para o conhecimento das pessoas, não só fisicamente, mas acima de tudo dos comportamentos que cada um assume, nos momentos que devem ser para falarem abertamente do que pensam, sem esconder o mais importante de cada um e acima de tudo sem se anularem. Durante o relacionamento as pessoas devem conversar com verdade e dignidade mútua. Se tal acontecesse não surgiriam tantas surpresas, desagradáveis, no decorrer da relação e onde, muitas vezes, já existem filhos. Se algum se apercebe de comportamentos abusivos é, no momento, que se deve tomar a decisão certa e não alimentar o que não tem bases para continuar. Fico muito apreensiva da forma, algo ligeira, como se começam e acabam relações sem que se faça uma introspecção.
Xetúbalsite - Lendo a Nota Introdutória de Francisco Loução e o Prefácio de Aguinalda Conduto, o que espera que este livro vá mudar?
Maria A. M. Bartolomeu - Sonhar não é proibido! Não obstante, entendo que não vou conseguir acabar com a violência doméstica! Mulheres Abusadas, Basta, é um livro que leva, quem o ler, a reflectir: se já errou e como se comportou para redimir e não voltar a cometer o mesmo erro; se está numa relação, a ter o cuidado de não defraudar o outro, evitando comportamentos de tentar mostrar o que não é, e, acima de tudo não alimentar ilusões e promessas vãs; não querer ser o centro do mundo, pois algum dia o “mundo” passa a ser de dois e deixa de ser de um só. Aos casais que passam por problemas, que reflictam se vale a pena continuar a viver uma ilusão, ou ao contrário, se vale a pena recuarem um pouco e tentarem conciliar, o que ainda tiver possibilidade de ter continuidade. Aos mais novos, a minha maior preocupação, aprendam a respeitar e a respeitarem-se pois não há ninguém que mereça maus tratos, físicos e verbais. A verbalização, rapidamente salta para a ofensa corporal. Há palavras que jamais serão esquecidas! Há atitudes que marcam para o resto da vida! Jovens e menos jovens acordem para a realidade e fujam de quem não vos quer bem. QUEM AMA NÂO FERE! Muitas vezes reflicto num tema que me é dado observar e que muito me preocupa. Qual a razão de os casais com bastante idade terem a tendência para, especialmente os homens, rebaixarem as mulheres em público? Já tenho assistido a monólogos ultrajantes. Não é justo e não devemos descurar este tema. Numa idade em que a Paz no lar é essencial não é justo que a mulher tenha todas as obrigações e poucos direitos. Infelizmente ainda há muitas mulheres que choram a perda dos maridos mas não poucas sentem-se libertas de um fardo. Está errado! O que alterou o relacionamento e quando aconteceu? É triste!
Xetúbalsite - Que futuro espera para os seus filhos e sobretudo, para os seus netos, em suma, para as novas gerações?
Maria A. M. Bartolomeu - Que haja mais respeito e uma maior consciencialização de que o “casamento ou união” é uma carta fechada portanto mostremos, sinceramente um ao outro o que somos sem mentiras nem endeusamentos. A vida, mesmo muito bem conduzida, trará sempre contrariedades. Não esperemos que tudo sejam rosas e acima de tudo lembremo-nos que essas são belas e têm espinhos. Vamos trabalhar em conjunto, pais, filhos, professores, psicólogos, forças da ordem, todos, todos, todos, para que não se registem mais mortes em Portugal pelas causas que agora dizemos: BASTA! Espero com este meu livro chegar a muitas mãos e que as palavras nele escritas façam muitas pessoas reflectirem. Pelas crianças que não merecem sofrer! Pelos jovens que precisam de ser mais ponderados! Pelos menos jovens que se reconciliem com a vida e tratem bem quem sempre esteve ao vosso lado.

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