GRANDE ENTREVISTA
- XetubalSite

- 22 de out. de 2025
- 12 min de leitura
Atualizado: 23 de out. de 2025
“A NOSSA ARTE É A MANIFESTAÇÃO DO CUNHO PESSOAL QUE NOS IDENTIFICA PARA O FUTURO”
Nuno David é nome de excelência por Setúbal, desde que aqui chegou, se instalou e começou a pertencer aos hábitos citadinos, sociais, paisagísticos e, sobretudo, artísticos da nossa cidade. Conhece o Parque da Natural da Serra da Arrábida, sem necessitar de cartilha ou GPS. Sabe dos danos que a extração de inertes que por ali acontecem provocam na preservação que tanto se impõe para garantir uma riqueza natural que é tão amada por todos nós. Nasceu em Angola e fala com saber sobre uma guerra injusta e desnecessária. Quando chegou ao nosso país deslumbrou-se com um Portugal, beirão, onde os usos, costumes, saberes ancestrais se aliavam ao cheiro a terra e à transparência dos rios. De confesso ateísta, confessa-se, agora, em posse de uma razão que lhe deu garantias sobre o facto de não desejar manter o pensamento que o desligava da sua condição humana. Sobre Setúbal, afirma ser um local único e tem o desejo de voltar a pintar em plena Praça de Bocage.
entrevista – Joaquim Gouveia

Joaquim Gouveia – Há uma frase que te define para quem te queira entender através do seu significado. “O que sei não é para levar”. Como é que se aprende a valorizar tão generosa forma de estar em comunidade e contribuir para a sua cidadania? São valores morais, experiência no percurso, ou o facto de por teres nascido já te consignava tal generosidade?
Nuno David - O que sei não é para levar. Certeza inquestionável da nossa existência. Temos assim e logo à partida a possibilidade e oportunidade se quisermos de passar os conhecimentos a quem ainda por cá for ficando. Nascemos dos nossos, somos a sua continuidade, recetores do seus saberes acumulados, as testemunhas que nortearam as suas vidas, seus exemplos, dos valores pelos quais se bateram e que entendem dever passar aos vindouros e nos quais se pautaram os meus comportamentos nas relações com os demais, designadamente, nos princípios de dignidade e respeito por nós mesmos, gratidão pela ajuda, solidariedade, valores morais adquiridos e aliados à experiências de vida, percursos e interações em cenários diversos de maior ou menor complexidades. O conhecimento é o que, indiscutivelmente, ao longo da vida sustenta a felicidade individual e coletiva. Guardá-lo e não o divulgar, não faz sentido numa sociedade de partilha global do conhecimento. rumo a um mundo que se deseja melhor!

"Cabinda - Uma bela recordação da Maria Olímpia Rocha, que ensinou e muito bem muita gente. Dava aulas a mais de 60 alunos da primeira à quarta classe e admissão ao Liceu"
JG – Quando se nasce em África, se combatem os irmãos africanos em guerra morticida e nunca se ganha um sentimento de racismo, isso tem de ser entendido como a consequência de estar no local errado à hora, terrivelmente, marcada?…
ND - Foram tempos em circuito fechado, felizes e infelizes coincidências e pouco ou nada esclarecidas para todos os que para lá iam e os que já lá nasciam, os de origem europeia, como eu. Pretendia-se uma outra realidade para aquele país, enfim utopias. Todos sem exceções em território nacional como era considerado, sabíamos que ao se atingir a idade de 20, nos chegaria a convocatória para cumprirmos o serviço militar obrigatório, numa estrutura rigorosa e exigente. Não se sentia discriminação no nosso dia a dia. Tal como nas escolas primárias (básicas), testemunhei um bom convívio, honesto, franco que a todos integrava sem percalços. Já vinha de longe e a “engrossar” o espírito nacionalista na esperança de que num futuro breve se atingisse o que, mais tarde ou mais cedo, poderia vir a ser uma Angola, melhor e para todos, quando as armas se calassem e as negociações que estavam já em curso fossem uma realidade. As disputas político-militares, os interesses globais faziam-se longe, a vida corria, sempre na esperança de acabar a guerra. Outras agendas se faziam e se cumpriam, orientando as políticas globais nas fracas capacidades de gestão dos próprios interesses dos povos africanos, na expetativa das influências exercidas sobre esses povos de que pelas suas riquezas, alimentavam a cobiça das grandes potências em sede própria, ONU, fossem uma realidade com os benefícios já traçados e calculados. Racismo não se via nos corredores dos liceus, escolas técnicas nem universidades. Não quero com isto querer branquear qualquer situação contrária, porque houve, mas a tendência era a integração e harmonização na miscigenação. De quando em vez sabíamos que alguém tinha deixado de frequentar as aulas e isso era sinal de provável alinhamento e participação nos grupos dos nacionalistas, que eram recrutados nas áreas rurais e países vizinhos. O citadino só fazia essa opção quando tinha algum conhecimento político e apoio logístico. Constou-me ter acontecido colegas do liceu encontrarem-se frente a frente, reconhecerem-se e baixarem as armas e abraçarem-se. Naquela guerra de guerrilhas era muito difícil acontecer isso até pelas táticas e características. Prestei serviço militar em Angola, numa companhia em que 80% eram negros e mestiços, filhos da terra. Os outros 20% eram brancos e filhos da terra também!
“O deslumbre do Portugal beirão, onde as 4 estações estão definidas no ano”

JG – No regresso às origens portuguesas da tua família, dás conta de um país “Beirão”, numa raia entre um vale onde se atravessa um rio que separa as altas terras portuguesas e espanholas. Depois de Marialva/ Foz- Coa, subir mais no terreno parece-nos entrar no local onde, possivelmente, o diabo terá, mesmo, deixado a mãe… Foi deslumbre o que sentiste à chegada na primeira vez que ali pousaste?
ND - Foi sim, tão deslumbrante que ainda hoje sinto o ambiente dessa primeira vivência com um mundo tão desigual, nas pessoas, nos hábitos, nos odores das coisas e nos campos. Tinha 4 anos e meio, e como tudo era muito diferente, bonito, menos bonito… As casas, o clima, o tempo. As quatro estações do ano bem definidas, de frios e calores. Depois a família, os tios, primos e os avós, que coisa curiosa, ”os nossos pais,” afinal também tinham pais! Os campos cultivados e a cultivar. O ambiente rural puro e característico dos anos 50, os carros puxados a bois, o balir dos rebanhos de ovelhas e cabras e que ao passarem lançam nuvens de poeira no ar, nos caminhos! A ribeira logo ali, pura e cantante nas águas que correm, quando são apertadas por grandes pedras que sempre lá estiveram a deixaram-nas passar. As noras, as alcatruzes e picotas que trazem a água de um poço fundo, e a levam num dia de muito sol a regar hortas e pomares. Esses engenhos inventados hà milénios por romanos, árabes e outros que foram e são nossos avós!
JG – Como eram, afinal, os princípios dessa tua família, pais, irmãos, avós, tios…. Religiosamente uma família Beirã?...
ND - De matriz cristã nos princípios e comportamentos. A honestidade, o respeito e cordialidade para com todos, são princípios inquestionáveis nos nossos atos, como ainda hoje e sem tirar uma vírgula, os transmito aos filhos e netos, assim como essas gerações fizeram connosco.
“É deveras chocante a extração de inertes na Arrábida”

JG – Entretanto a tua chegada a Setúbal, marca, também a tua integração no Parque Natural da Arrábida, onde desenvolveste aturado trabalho na serra como o teu currículo bem o define. Antes de falarmos na tua arte de pintor da nossa serra, coloco-te uma questão diferente e, talvez, um pouco dolorosa, ou seja, se os setubalenses que tanto adoram a sua serra a pudessem observar por cima, onde as crateras de extração de pedra e cimento formam um autêntico cenário difícil de acreditar, que sensação iriam experimentar e que possível reação poderiam, até, provocar? É desolador, concordas?
ND - És assertivo na questão que me colocas de um contínuo e aturado trabalho feito em prol da conservação / proteção da natureza e sua divulgação, feito por uma equipa competente, muito profissional e empenhada. É, deveras chocante, essa observação conforme a colocas. São duas “feridas“ abertas na paisagem. Uma no Outão e a outra no Calhariz/Sesimbra. Numa Área Protegida, como é o Parque Natural da Arrábida, é deveras desajustada e chocante até, a extração de inertes destinada ao fabrico de cimento nestes dois locais, como sabem. De acordo com a lei vigente tem-se procurado minimizar os impactes negativos desta atividade industrial, designadamente a monitorização na execução do plano de recuperação paisagística. A observação que invocas constituiria uma desolação e provocaria um profundo desagrado e reações justas a este estado de coisas, certamente!
“Ateísta? Não, entendi que não fazia sentido manter o pensamento que me desligava da minha condição humana”

JG - Pedro Abrunhosa, afirma que a inspiração na criação da arte não existe, exemplificando o que lhe acontece sempre que se predispõe a compor novos temas. Para ele, após entrar no estúdio, existem apenas três elementos, ele, o piano e a mão de Deus. Como confesso ateísta que és (já lá vamos), como responderias ao Pedro?
ND - Bem, meu amigo, tenho a dizer-te que foi verdade sim, fui confesso ateísta, com te disse quando um dia conversámos, já lá vão 12 ou 13 anos. Vivia uma fase menos boa da vida, sentia um profundo vazio, um vincado desnorte no rescaldo de uma situação difícil e que me marcou. O regresso à normalidade foi possível, depois da estabilidade emocional recuperada e crescente ceticismo que ao transcendente dizia respeito. Sem rodeios, disse-te que vivia uma incredulidade e que não me conduzia a nada. Não crente, cauteloso, nunca de certezas absolutas e muito de auscultar os outros. Esta postura, entusiasmou-me e fez-me repensar e acreditar na feliz conjugação de construir o que hà muito já não existia em mim, e que provavelmente nunca existiu e optando à luz dos dias de hoje por tão radical pensamento. O tempo foi passando, ou fui passando por ele, mais velho, realista e introspetivo, sensível ao estudo das teorias filosóficas e transcendentais, entendi que não fazia sentido manter o pensamento que me desligava da minha condição humana. Nós sempre frágeis, determinantes do nosso destino, em oposição aos outros seres vivos, que de nós dependem, abraçamos o transcendente, nós humanos não comparáveis aos demais, porque somos seres em contínua engenhosa e profunda evolução e isso coloca-nos acima dos outros. Somos nós os humanos que determinamos os seus e os nossos futuros e marcamos a diferença na morte, embora semelhantes no desaparecimento físico, mas cumprindo a nossa vontade e a do universo. Somos um perfeito engenho criado por um ser acima de nós e que acomodará a nossa essência, a alma de cada um no que estará para além do que sabemos e noutra dimensão. Responderia ao Pedro, que Deus está lá, logo à partida e na construção mental, pensada, pré definida, teimosamente repetida, inquietante até enervante muitas vezes, quando no momento as surpresas e emoções que nos assaltam no processo de criação levado pela vontade de fazer, construir, e caminhando absorto, desligado, aconchegando-nos ao que emocionalmente se ajusta, conforta e nos agrada. Estabilizar o pensamento, experimentar o ensaio, apagar, voltar a fazer, ficar esperançoso, sentir-se bem em ter dúvidas de si e do que se está a tentar fazer na condução da mão, guiada pelo pensamento na ligação profunda e ansiosa em tudo o que vai resultando, esquecendo-nos até do lugar onde estamos. Será que se cumpriu a vontade? No sonho era outra coisa, mas gosto mais desta. A recompensa é a humilde alegria de sorrirmos, por isso contentamento, ao acabar.
JG – Quem nasce primeiro, a arte ou o artista? No teu caso notaste que a arte fazia parte do teu ADN logo à nascença, ou foi algo que despontou através das novas células que corriam e se renovam no sistema sanguíneo? O que mais te fascinou na ideia de que havia essa arte em ti para desenvolver e explorar como pintor? E se tivesses sido músico, ou matemático?...
ND - Todos nascemos naturalmente com as apetências em bruto e absorvemos no estudo as competências que, paulatinamente, se vão manifestando e sobressaindo e consolidando. Depois é só trabalhar essas valências. Também temos e somos portadores do ADN de quem nos precedeu. Dei-me conta dessa vocação muito cedo, com 4 ou 5 anos. O tempo passou e com 13 anos o interesse manifestou-se já com caráter mais definitivo. Avós escultores em madeira e pedra, é daí que venho. Quando nascemos já transportamos o artista connosco. Depois trabalhamos com o que encontramos, somos influenciados com o que já existe, abraçando o que nos agrada e inspira e rejeitando o resto. É esse o momento da “nossa “arte”, na manifestação do cunho pessoal que nos identifica para o futuro. Leva-se tempo e muito trabalho para se chegar a esse estádio. O fascínio das cores plasmadas em superfícies de fácil aplicação, a descoberta do que se vê e impressiona numa simples mistura de cores, tudo ali e o encanto de podermos, alterá-las, substitui-las, adicioná-las e subtraí-las a nosso belo prazer, afinal, fazendo o que nos mais agrada e entusiasma!
JG – Como é que se pinta a serra da Arrábida? É a partir de um olhar poético, de um sentido de natureza bela, de uma conjugação entre o maravilhoso e o divinal…
ND - A minha resposta está curiosamente quase toda na tua sensível pergunta. Aproprio-me em grande parte da questão que me colocas para te responder. É essa conjugação do que podemos classificar de divino que nos maravilha e nos “empurra” obrigatoriamente para os poemas que colorimos e plasmamos nas telas!
“Setúbal é um lugar único!”

JG – O que é ser setubalense, até mesmo por adoção? Afinal o que inspiram os olhos e os sentimentos nas palavras que definem viver por aqui?
ND - É estar, é conhecer é deixar-se arrebatar pela envolvência, pelo calor das pessoas, dos lugares e das coisas que nos fazem felizes. É também recordar de onde chegámos, é viver em largos horizontes, únicos é apenas parar porque um rio que corre aos pés duma cidade, que é azul da cor do céu, é abraçado por um mar também azul e verde e uma serra dessa cor, logo ali que guarda tesouros, é, definitivamente, um lugar único!
JG – Não te pergunto o que te falta fazer porque enquanto por cá andares todos os dias são para fazer alguma coisa. A minha questão passa por te perguntar o que é que nesta altura gostavas mesmo de ainda fazer, ou voltar a fazer?
ND - Gostava de continuar a pintar, ter mais tempo para ler, estar com os amigos e concluir o que tenho registado e publicá-lo para a família, para mim e outros eventuais interessados.
JG –Foste Frei Agostinho da Cruz, na cinematografia do nosso amigo Alberto Pereira. Achas que poderias ter sido mesmo o próprio Frei Agostinho?…
ND - O realizador Alberto Pereira, achou por bem ser eu a figura do santo franciscano. Não sei o que o inspirou para essa escolha, só ele tem a resposta. Talvez a minha redonda careca… Fui apenas um grande fingidor de tanta santidade, serenidade e bondade no seu próprio ambiente e cenários em que ele viveu nestes dois conventos, o que é extraordinário, fazer este filme passados 400 anos da sua morte. Não, nunca, desculpa, que atrevimento pensar isso. Acredito, piamente, ser muito difícil, quase impossível reunir as condições mínimas para o exame de admissão a Santo. Só muito poucos o conseguem. Fingir e fingir, sim, aí julgo ainda estar à altura, talvez de um mestrado e ou doutoramento…
“Quero voltar a pintar em plena Praça do Bocage”
JG – Ser pintor de rua em Lisboa, trouxe algo de novo à tua arte e ao artista, ou pelo contrário foi apenas uma experiência diferente?
ND - Foi um tempo muito bom e curioso. Aconteceram as duas coisas e aprendi muito com essa vivência. Quando me reformei do Ministério do Ambiente, em 2007, naturalmente fiquei mais disponível o que me permitiu viajar. Na época tinha uma casa no Alentejo e por lá pintei bastante em casa e no campo. Por compromissos assumidos com a Galeria com quem trabalhava “Os Sobrinhos do Senhor Capitão”, sediada em Vila Fresca de Azeitão e Lisboa, repetiram-se novas experiências no que em tempos fizera no desenho espontâneo e pintura urbana em Lisboa e na continuação do que já ensaiara em Setúbal. Pintei aguarelas, fiz apontamentos e esboços muito concretos sobre o tecido urbano da baixa de Lisboa, designadamente, Restauradores, Ruas Augusta, do Ouro e outras. Trabalhar fora do atelier é entusiasmante e enriquecedor como pessoa e pintor. Aprende-se sempre com os outros e criam-se empatias. Quero voltar às ruas da nossa cidade. Bocage, que já por lá me viu algumas vezes, quero voltar à sua Praça.
JG – Para terminarmos. Porque não queres levar nada? Afinal, o que é que nos deixas em termos de todo o teu percurso de vida entre aprendizagens e concretizações?
ND - Não quero ter nada nas mãos, não! Quero ir com elas livres para logo e melhor abraçar quem encontrar, quem me chamar e ou me sair ao caminho e de mim tiver saudades! Deixo tudo como ainda sou nesta vida, assim ser recordado. Não levo nada e mesmo se o pudesse não queria, para quê. Deixo as coisas e tudo o mais aos filhos, netos e amigos, claro!
Alberto Pereira destaca generosidade do amigo pintor

Conheci o Nuno há uns largos anos, através de uma paixão que partilhamos: a pintura. Quando ingressei no Synapsis, movimento cultural do qual o Nuno, foi um dos fundadores, a nossa amizade começou a crescer. Com o tempo, essa ligação amadureceu, levando-me a convidá-lo para participar em 2 dos meus filmes como protagonista, sendo que um deles já foi merecedor de vários prémios "A SERRA DE AGOSTINHO", onde o Nuno, encarna a personagem de Frei Agostinho da Cruz, frade/poeta/eremita, que viveu na Serra da Arrábida. Produzi e realizei um documentário para a celebração dos seus 40 anos de pintura. Homem de profunda sensibilidade artística e amigo leal, o Nuno personifica os valores que sustentam uma verdadeira amizade. Apesar de ser mais velho do que eu, encontro sempre nele um espírito jovem, curioso e uma mente aberta ao novo.A sua vocação para ensinar aguarela revela-se numa generosidade rara, partilha o seu saber com todos os que o procuram, sem esperar nada em troca. E quando o assunto é a sua amada serra da Arrábida, fala com a paixão e o conhecimento de quem é uma autêntica enciclopédia viva, conhecedora da sua fauna e flora em cada detalhe. O Nuno, vive a aguarela da vida com intensidade, pintando-a com as cores da emoção, da amizade e da arte.


Parabéns, Nuno David, por um percurso de vida e de arte tão cheio de significado. É inspirador ver como a sua paixão pela natureza, pela Arrábida e por Setúbal se reflete não só nas telas, mas também na forma como olha e partilha o mundo. A sua sensibilidade, a generosidade e a serenidade com que transmite o que sabe são exemplo de humanidade e de amor à arte. Que continue a pintar, a inspirar e a deixar-nos este legado tão genuíno e luminoso. Abraço!