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O lócus do associativismo com a política

  • Foto do escritor: Carlos Branco
    Carlos Branco
  • 6 de out. de 2025
  • 3 min de leitura

As condições e os impactos das associações na vida social podem ser analisados de diversas maneiras e seguindo variados objetivos e enfoques analíticos.


A crescente interdependência entre os Estados-nação, o desenvolvimento dos mercados globais, as questões ambientais que atravessam fronteiras nacionais, as novas tecnologias e meios de comunicação, são, entre tantos outros, aspetos da globalização que se desenvolvem vis-à-vis à proliferação de novas instituições políticas e de organizações sociais.

A articulação de demandas locais, nacionais e transnacionais provoca mudanças sociais e políticas que desafiam as contribuições conceituais e explicativos da teoria democrática, seja pelo questionamento da capacidade dos Estados em coordenar e mediar as demandas nos conflitos sociais, seja pelo processo crescente de pluralização da vida associativa e dos espaços da política, o que alarga e complexifica o lócus da representação política institucional por meio de bases que transcendem os limites territoriais do modelo eleitoral.


As condições e os impactos das associações na vida social podem ser analisados de diversas maneiras e seguindo variados objetivos e enfoques analíticos, afim de avaliar:


- As influências dos grupos e associações no processo de socialização dos indivíduos;

- As potencialidades em promover a reprodução, a integração ou a transformação social;

- Suas capacidades de alavancar o desenvolvimento económico;

- O fomento de estruturas de pertença e de identidade cultural, entre outros.


Inserido no campo da sociologia política, este tema observa as relações entre as associações e a democracia tendo como cenário as sociedades contemporâneas marcadas por alto grau de complexidade e de pluralidade da vida social.

O interesse por esse assunto segue uma importante tendência teórica que tem renovado ou revivido, as análises da importância das associações para a democracia, cuidando para diferenciar tanto as potencialidades democráticas das associações quanto as variadas concepções de democracia que as sustentam.

No seu livro Democracy and association (2001) Mark E. Warren, aponta para a emergência de um consenso da vida associativa para a democracia, pelo facto das associações serem reconhecidas pelo seu cultivo ao desenvolvimento de virtudes cívicas, consideradas cruciais para uma sociedade democrática.

Além disso, e entre outras contribuições, as associações permitiriam ampliar os domínios das práticas democráticas para diversas esferas da vida social, constituindo meios alternativos para dar voz aos desfavorecidos em função das condições desiguais de distribuição de valores e poder.

O aumento do interesse pelo fenómeno do associativismo está também interligado com o reconhecimento dos impactos dos fenómenos da globalização, da complexidade e da pluralização na reconstituição das identidades migrantes, em práticas e repertórios da ação coletiva.

Diante desse cenário, avolumam-se os estudos e os debates sobre o papel das associações para o desenvolvimento da democracia nas sociedades.

Partindo-se do pressuposto geral de que um sistema político é mais democrático quando as suas instituições oferecem oportunidades mais igualitárias para os cidadãos tomarem parte das decisões políticas e dos julgamentos coletivos, o papel e os impactos das associações se desdobram em diversas – e não necessariamente cumulativas – possibilidades, com destaque para três conjuntos de contribuições: no desenvolvimento individual, contribuindo para a formação, o aumento e o suporte na formação de cidadãos mais democráticos, especialmente na sua capacidade de produzir julgamentos autónomos; na formação da opinião pública construindo, ampliando e problematizando as opiniões e políticas; no fortalecimento das instituições de representação, além da criação de canais institucionais que produzam, via participação dos cidadãos, decisões políticas legítimas.

Por meio da representação política, da pressão, da resistência, da participação ou da cooperação, o facto é que, diante dessa paisagem complexa e plural que conforma as sociedades contemporâneas, a democracia fortalece-se quando contemplada por um quadro rico e plural de práticas e dinâmicas associativas atuando em diversas tarefas, cooperativas e/ou conflitivas, que ampliam e diversificam as demandas e as respostas democráticas para as diferenciadas necessidades e conflitos políticos e sociais. É este o sentido geral da ideia de “ecologia democrática das associações”.

No entanto, convém alertar que certo consenso acerca das relações positivas entre associativismo e democracia, carrega um alto grau de generalização sobre os impactos democráticos das associações, sem maiores cuidados no que se refere à necessidade de se especificar, no interior desse campo complexo e plural, os diferentes tipos de associações e seus distintos, e muitas vezes contraditórios, efeitos democráticos.

Também se reconhece que muitas associações, não são boas para a democracia, como determinados grupos privados, grupos racistas, de ódio, e muitos grupos de interesses poderosos que fazem jus às suspeitas de facciosismo levantadas por todos os que baseiam as suas preocupações com o ideal do bem comum.

 
 
 

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