Para que nada se perca!
- joaquimgouveia06
- 29 de jan.
- 5 min de leitura
"BANDA DO ANDARILHO"
A IMPORTÂNCIA DA DIGNIDADE

Helena Pratas, uma das vozes da conhecida “Banda do Andarilho, nascida no antigo Circulo Cultural de Setúbal, há mais de três décadas, por vontade de reunião e palco, de alguns músicos amigos da cidade, veio a terreiro na sua página de Facebook, lamentar a desativação da página desta banda naquela rede social, sem qualquer explicação e, pelos vistos, sem remissão possível o que origina, para já, a perda total de todo o espólio escrito e fotográfico sobre o percurso de um grupo que fez a diferença divulgando e promovendo o melhor da música popular e de intervenção feita no país. Porque há alguns anos, enquanto jornalista n´O Setubalense, convidei os elementos da “Banda do Andarilho”, para uma entrevista que registou os seus 25 anos de atividade, a Helena Pratas decidiu dar à estampa essa publicação que, agora, remontamos para que, pelo menos, este seja um espólio, embora curto, mas importante da idoneidade de uma banda oportuna, digna e aplaudida em todo o lado

“Porque me apetece.
Eu sou cantora e vou ser cantora até morrer.
Hoje não me apetece ser modesta!
A página da Banda do Andarilho foi desativada sem qualquer explicação, sem qualquer resposta do Facebook. Com a desativação da página perdeu se parte da história desta banda que tantos anos tem de história e que começou no velhinho Círculo Cultural, com um grupo de amigos que ainda hoje o são.
Tudo isto também para vós dizer que me parece que com página ou sem página a banda foi esquecida. Tenho saudades das tábuas, tenho saudades dos poemas, tenho saudades...
Pensava que a música e os que a cantam não tinham idade, mas parece que afinal para alguns tem, até para aqueles que nunca pensamos que viessem a pensar assim, afinal parece que deixamos de poder ser quem somos”.
Helena Pratas
"Artigo no Jornal "O Setubalense"
Artigo assinado por Joaquim Gouveia
ENTREVISTA A PROPÓSITO DOS 25 ANOS DA "BANDA DO ANDARILHO"

A Banda do Andarilho já ganhou um estatuto muito próprio entre as bandas que tocam e cantam na chamada área da música popular portuguesa. Os seus 25 anos conferem-lhe uma longevidade respeitada e apreciada tanto na nossa cidade como pelos palcos que pisam país fora. A amizade e a partilha dos mesmos gostos musicais explicam tamanha aventura na preservação dos nossos melhores cantautores da música popular e de intervenção. Pensam que ainda é cedo mas quando arrumarem os instrumentos e as intenções o farão com a dignidade que a sua longa carreira aconselha. Para já querem continuar na estrada e se a oportunidade um dia aparecer gravarão, finalmente, o seu primeiro disco.
Joaquim Gouveia -Que razões explicam a vossa longevidade enquanto banda de música popular? São já 25 no activo das estradas e dos palcos...
Banda do Andarilho - Existem dois motivos que para nós explicam esta longevidade. Pela música e pelos autores que tocamos e cantamos, entre os quais se encontram o José Afonso, Fausto, José Mário Branco, Sérgio Godinho, Adriano Correia de Oliveira e outros. Por outro lado a amizade que temos entre nós. Somos amigos há muitos anos e isso é importante para a consistência de qualquer projecto.
JG - Definem-se com uma banda de música popular ou de intervenção?
BA - Podemos considerar ambas as vertentes. Mas falta falar do tradicional que será o cancioneiro que também interpretamos. Uma coisa não está indissociada da outra. Todos estes estilos podem coabitar num grupo de música. Tanto intervimos como somos populares. Digamos que somos uma banda de intervenção que tenta transmitir uma mensagem.
JG - E qual é a mensagem? Sentem-se um grupo de esquerda?
BA - Na passagem da nossa mensagem somos um grupo de esquerda, não somos indiferentes, estamos num dos lados onde se fala de democracia, de justiça, de liberdade e dos direitos humanos, ou seja, parafraseando Sérgio Godinho... só há liberdade a sério quando houver a paz, o pão, a saúde, educação...

JG - Porque nunca apostaram em temas originais?
BA - Nunca tivemos essa predisposição. Temos, na verdade, alguns originais que cantamos num ou noutro espectáculo. Enquanto músicos preferimos fazer adaptações de temas conhecidos e de que gostamos. Isso dá-nos prazer e como não somos profissionais entendemos que devemos tirar o maior proveito do que tocamos e cantamos.
JG - Que pensam da actualidade da música popular portuguesa?
BA - Neste momento pensamos que existem bons grupos jovens a recriar a boa música dos autores que já falámos. No entanto não há novos autores o que leva a que se continue a cantar o Zeca e os outros. Nota-se uma enorme falta de apoio e incentivo à cultura em todas as suas vertentes e não só apenas na música. Por outro lado as editoras não apostam em novos autores e novos grupos, talvez porque tenham receio do investimento que é necessário fazer. Depois também não há divulgação da música popular portuguesa. As playlist das rádios, por exemplo, limitam esta área da música.
JG - Porque é que nunca gravaram um disco?
BA - Nunca tivemos condições financeiras para tal. Temos muitos espectáculos gravados ao vivo mas nenhum foi editado. Também nunca tivemos qualquer contacto de editoras. No entanto a gravação de um disco continua no nosso horizonte. Se a oportunidade aparecer havemos de a concretizar.
JG - A Festa do avante tem sido um óptimo palco para a Banda do Andarilho...
BA - É, essencialmente, uma optima experiência. O público mostra disponibilidade para nos ouvir. No fundo tem a ver com o próprio ambiente da festa. É um ponto alto para qualquer grupo ou músico deste país.

JG - Em termos de música popular de Setúbal reconhecem a dedicação de Mário Regalado e dos Galés?
BA - Tiveram um papel importante na divulgação da música popular que se faz na cidade e que a identifica. No entanto não é o género que queremos seguir.
JG - Como abordam o vosso futuro?
BA - Há uma altura para parar com dignidade mas para nós ainda é cedo. Pensamos que continuamos a ter um caminho a trilhar. O que tocamos e cantamos é intemporal pelo que, pensamos, havemos de continuar nesta estrada da música popular portuguesa. Não queremos deixar fazer esquecer os nossos cantautores. Tocamos, por exemplo, temas dos “Disto & D´Aquilo”, gravados há mais de 30 anos e estão actuais.
Elementos que fizeram parte da banda: Lena Pratas (voz), Lena Mendes (acordeão), Jorge Patricio (voz e viola), Rui Rosado - Ruca (bateria/percussão), Paulo Sequeira (baixo), Dimas Pereira (acordeão), Albano Almeida (viola, bandolim, cavaquinho e flauta)

Elementos que fizeram parte da Banda do Andarilho: Lena Pratas (voz), Lena Mendes (acordeão), Jorge Patricio (voz e viola), Rui Rosado - Ruca (bateria/percussão), Paulo Sequeira (baixo), Dimas Pereira (acLena Pratas (voz), Lena Mendes (acordeão), Jorge Patricio (voz e viola), Rui Rosado - Ruca (bateria/percussão)Paulo Sequeira (baixo), Dimas Pereira (acordeão), Albano Almeida (viola).ordeão), Albano Almeida (viola)...LenLena Pratas (voz), Lena Mendes (acordeão), Jorge Patricio (voz e viola), Rui Rosado - Ruca (bateria/percussão), Paulo Sequeira (baixo), Dimas Pereira (acordeão), Albano Almeida (viola)...a Pratas (voz), Lena Mendes (acordeão), Jorge Patricio (voz e viola), Rui Rosado - Ruca (bateria/percussão), Paulo Sequeira (baixo), Dimas Pereira (acordeão), Albano Almeida (viola)...

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