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Tertúlia do Fado deSadino

  • Foto do escritor: joaquimgouveia06
    joaquimgouveia06
  • 9 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

CARLA LANÇA


“FAÇO PARTE DA CULTURA DE SETÚBAL”



Carla Lança é nome firme entre o bom naipe de fadistas da cidade de Setúbal. Sente que pela carreira traçada já faz parte da cultura da cidade. O saudoso guitarrista Manuel Zorro Casalão foi o responsável pelo início de uma carreira da qual a fadista se sente reconhecida, nunca esquecendo tão valioso como dedicado amigo. Para Carla Lança, ser fadista é muito mais que cantar afinado é um estado de alma, uma paixão que nasce com o próprio artista e se desenvolve ao longo da sua carreira, é, essencialmente, uma forma muito própria de estar na vida.  Para si não existe uma tertúlia do fado em Setúbal, pelo menos no entendimento restrito do termo.


Joaquim Gouveia - Quando percebeste que o fado poderia fazer parte de uma carreira artística que, entretanto, se foi consolidando na tua vida?

Carla Lança – Ouvi fado desde sempre. A banda sonora lá de casa era essa. Sempre cantei, mas na minha adolescência era “piroso” gostar de fado. Já casada e com uma filha, o saudoso Manuel Carlos Casalão Zorro (meu padrinho de fado), desafiou-me para começar a cantar em tertúlias e noites fadistas em coletividades. Sempre com o apoio incondicional da família, com alguma abertura por parte do então núcleo fadista da cidade, comecei a acreditar e a construir o meu caminho, sempre com muita humildade e respeito pela nossa canção nacional e pelas referências do fado sadin

JG - O fado, no teu caso, é paixão ou um estado de alma?

CL – Penso que ambas. Uma paixão e um estado de alma, até porque influencia bastante o meu… É uma forma de estar na vida, essencialmente.



JG - É fadista quem quer, ou já se nasce com essa vocação, com esse tipicismo tão evidente de entoar, vocalmente e em trinado, a chamada canção nacional?

CL - Na minha humilde opinião já se nasce com essa vocação, mas é evidente que a evolução vem com o trabalho e a dedicação. Mas ser fadista, voltando a frisar que é apenas a minha opinião, é muito mais do que cantar afinado.

JG- És da opinião que há uma tertúlia do fado em Setúbal?

CL  – Se seguirmos à risca o significado de tertúlia, não.JG - Quem são as tuas referências no fado?

CL - A minha primeira referência foi sem dúvida Amália Rodrigues, até porque os primeiros fados que cantei eram de sua criação. Mas ouço, admiro e respeito tantos nomes do fado,  das mais antigas às mais recentes grandes vozes, julgo que seria injusto e um risco frisar nomes, pois inspiro-me em variadíssimas referências. “Bebo de muitas fontes”, até das menos conhecidas do grande publico.

JG - Como defines a atualidade em termos do fado nacional, entre novos e antigos fadistas, guitarristas, violas e autores? 

CL – Temos uma riqueza inumerável. Um império gigante, imaterial e imortal de talento artístico no nosso País.



JG – Porque é que os turistas adoram o fado sem sequer perceberem as letras? É um sentimento único para além da própria emoção?

CL - Vai muito para além do idioma, é sentimento, é emoção. Como já referi é um estado de alma, é genuíno, é muito nosso!

JG - Que caminhos tens conseguido trilhar e que projetos tens no imediato para a continuidade da tua carreira?

CL - Modéstia á parte, julgo já ter alcançado o meu lugar na cultura setubalense. Sempre com muita humildade e respeito pelo próximo e pelas entidades. As coisas têm fluindo sem pressões e sem correrias. Tenho, em conjunto com a Joana Lança, algo pensado, mas ainda no forno… Algo muito simples, mas idealizado com muito amor, pois é esse sentimento que nos une essencialmente. E é essa a diferença que sentimos ao subir juntas ao palco, a nossa cumplicidade, e, o público é sempre muito recetivo. Daí voltarmos a pensar em algo a duas. Sou muito grata pelo carinho que recebo do público, por isso o respeito muito!

 

 
 
 

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