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TERTÚLIA DO FADO SADINO...*

  • Foto do escritor: joaquimgouveia06
    joaquimgouveia06
  • 29 de jan.
  • 4 min de leitura

Susana Martins


“JÁ VENDEM KIZOMBA NO ESTRANGEIRO

E CHAMAM-LHE FADO”…



Susana Martins inventou a sua maneira muito peculiar de estar no fado. Antes, já tinha experiência de palco numa carreira que experimentou noutro registo musical e com nome artístico distinto. Neste momento muito interessante e firme na sua carreira como fadista, não esquece o saudoso amigo “Zeca do Fontenova”, que terá sido o principal responsável pela sua incursão na chamada canção nacional como, aliás, faz questão de recordar nesta entrevista. Ganhou prémios, ânimo, coragem e, sobretudo, percebeu que o fado não era apenas uma questão de passatempo de fins de semana entre amigos. Ouviu Amália Rodrigues, descobriu nuances capazes de lhe servirem de suporte e, num ápice, começou a marcar uma diferença em palco, quer na atitude, como na voz trinada e forte e nas escolhas de repertórios e projetos capazes de a embalarem nas estradas por onde faz ouvir a sua voz, apoiada no acompanhamento musical por músicos como Rui do Cabo e Albano Almeida, formando um trio que já é cartaz de referência entre os amantes do fado.


Joaquim Gouveia - Quando percebeste que o fado poderia fazer parte de uma carreira artística que, entretanto, se foi consolidando na tua vida?

Susana Martins – O contacto com o fado era só  nas VHS da minha mãe que existiam por casa nos maravilhosos filmes portugueses, até porque “a minha praia era outra”...num espectáculo da colectividade Aguias de S.Gabriel em Setúbal,  o nosso Zeca da Fonte Nova disse-me: “ Gajinha, vais cantar o Fado à minha casa!”. E eu achei um absurdo porque só tinha cantado o fado acompanhada à guitarra e viola uma vez na vida, a pedido da minha mãe.. No entanto aceitei o desafio do Zeca e logo ali fiquei nas noites fadistas que se realizavam ao domingo. Alguém me disse “podes cantar marchinhas e outras coisas assim, mas nunca serás fadista” e achei que devia provar o contrário, aceitei a inscrição no Concurso de Fado Amador de Setúbal, onde ganhei a gravação do meu primeiro album de fadoado e por cá continuo.

JG - O fado, no teu caso, é paixão ou um estado de alma?

SM o Fado para mim é um estado de alma, a paixão é a música.



Com "Zeca do Fonte Nova", o homem que a impulsionou na carreira de fadista e que nunca esquecerá


JG - É fadista quem quer, ou já se nasce com essa vocação, com esse tipicismo tão evidente de entoar, vocalmente e em trinado, a chamada canção nacional?

SM – Ha interpretações fantásticas de pessoas que cantam o fado há meia duzia de meses e depois temos pessoas que o cantaram toda a vida sem nunca conseguirem transmitir nada. No fado tem de se contar a história. O mais trinado ou menos será sempre uma questão de gosto pessoal. Acho que temos ou não vocação para música,  e depois temos de gostar do que se canta para ser intérprete de qualquer género musical

JG- És da opinião que há uma tertúlia do fado em Setúbal?

SM – Já existiu em tempos,segundo se ouve falar Neste momento existem alguns grupos amadores que se juntam a cantar o fado, mas, na minha opinião, não existe uma Tertúlia de Fado

JG - Quem são as tuas referências no fado?

SM - Sempre a grande Amália Rodrigues pela garra e ousadia! Por trazer coisas novas ao fado, tão à frente do seu tempo e por desafiar a tradição sempre com o respeito que o fado merece.

JG - Como defines a atualidade em termos do fado nacional, entre novos e antigos fadistas, guitarristas, violas e autores?

SM – Acho que neste momento estão a regressar os artistas às bases. É impressionante venderem Kizomba, no estrangeiro e chamar lhe fado. Claro que teremos sempre os tradicionalistas que não querem que se mude “uma virgula” no fado tradicional, mas acho que voltamos aos poucos  ao caminho certo no que diz respeito a construir coisas novas sem desrespeitar a tradição do Fado



JG – Porque é que os turistas adoram o fado sem sequer perceberem as letras? É um sentimento único para além da própria emoção?

SM –  A forma como os arranjos dos fados foram construidos para a guitarra portuguesa trinar é divina, atravessa-nos o coração de uma forma que não é preciso entender as palavras para ouvir uma guitarra sorrir ou chorar. A música tem esta magia

JG - Que caminhos tens conseguido trilhar e que projetos tens no imediato para a continuidade da tua carreira?

SM -  Tenho muito a agradecer ao público em geral que me acompanha, aos bons músicos, produtores e compositores que estão ao meu lado. Os projetos “Cantar Setúbal em fado” e “Amália no coração”, foram um sucesso, juntando cinco vozes do panorama setubalense e agora sigo com “Tributo a Amália” já apresentado no final do verão na Casa Da Baía, que junta o Rui do Cabo (na guitarra portuguesa), o Albano Almeida (na viola) e o Rui Rosado - Ruca (na percussão) trazendo uma roupagem muiol fresca aos grandes temas de Amália Rodrigues, com a promessa de um espectáculo recheado de emoções.

 

 
 
 

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