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Tertúlia do Fado Sadino **.

  • Foto do escritor: joaquimgouveia06
    joaquimgouveia06
  • 12 de fev.
  • 3 min de leitura

Piedade Fernandes

“O FADO ESTÁ DENTRO DE NÓS, NÃO SE APRENDE NOS LIVROS. É UM IMPROVISO!"

 

Piedade Fernandes é uma presença incontornável do fado setubalense. O seu gabarito já ultrapassou as fronteiras da cidade e a sua voz é conhecida aquém e além margens nacionais através de uma carreira conquistada ao longo de vários anos com a qualidade que o público reconhece e aplaude. Diz que se nasce fadista e que o fado está dentro de todos nós e que o futuro da canção nacional está entregue aos talentosos jovens que nos últimos tempos têm despontado um pouco por todo o lado. Eis Piedade Fernandes, numa entrevista que fala de si, do fado e, afinal, de todos nós.

 

Joaquim Gouveia - Que predicados encontraste na chamada “canção nacional” que te levaram a seres fadista?

Piedade Fernandes - Porque no Fado encontrei uma maior identificação, quer ao nível musical, bem como ao nível da poesia e de entrega interpretativa. O fado tem um não sei quê de magia pela simplicidade de elementos intervenientes que possibilita a cada um protagonismo muito especial, muito único, resultando no seu todo uma expressão musical riquíssima em sons e palavra conseguindo traduzir na perfeição a nossa alma, criatividade, poesia e cultura…enfim é arte, conseguida de uma forma extremamente abrangente e imediata.

JG - O fado é paixão ou um estado de alma?

PF - Tem de ser as duas coisas. Uma não funciona sem a outra. Completam-se, coexistem e recriam-se mutuamente.

JG - É fadista quem quer, ou já se nasce fadista?

PF - Nasce-se. Isto tanto para os intérpretes como para os músicos . O fado está dentro de todos nós. Alguns conseguem transmiti-lo, deixá-lo transparecer cá para fora, outros não. É preciso ter algo que não se aprende nos livros, não existe nas pautas, para que que ele aconteça. É um improviso, um certo virtuosismo, um requebro de voz num lamento, um trinar gemido da guitarra, um acorde dramático e marcante da viola que trazem ao fado momentos sempre diferentes conforme o tal “estado de alma”, mas sempre com aquela “paixão”, que só o fado tem e que lhe confere aquela magia que faz com que seja “entendido”, “sentido”, até por aqueles que não entendem a língua, mas se deixam embalar por ele.

JG - Há uma tertúlia do fado setubalense?

PF - Existem muitas pessoas ligadas ao fado, que partilham experiências e trabalhos, sim. Sei que existem diversos sítios, pontos de encontro, onde o fado acontece, quer a nível de música, bem como de poesia e de vozes, de conhecedores e de amantes do fado. Sempre existiu uma grande vertente fadista em setúbal, e com grande tradição.



JG - Quem são as tuas referências no fado?

PF - Tenho várias e todas elas me inspiraram. Desde o Alfredo Marceneiro, Hermínia Silva, Amália Rodrigues, Deolinda Rodrigues, Carlos do Carmo e tantos outros até à nova geração do fado com o Pedro Moutinho, ou a Carminho, no género mais purista e tradicional ou a Marisa, a Ana Moura , a Gisela João ou o Camané, António  Zambujo, em géneros mais arrojados.

JG - Como defines a atualidade em termos do fado nacional?

PF - Neste momento, temos um leque de vozes, já para não falar no surto de grandes e jovens músicos, incrivelmente competentes e muito talentosos que apareceram, todos eles diferentes e muito abrangentes, que trazem ao fado uma maior amplitude de público, pela sua diversidade e apresentação, conseguindo chegar a todas as gerações e gostos.



JG - Que projectos tens  para a tua carreira e que caminhos tens trilhado?

PF - Gostava muito de concretizar um sonho que tenho e que tem a ver com a produção de um espetáculo, com temas escritos por mim, introduzidos nalguns fados tradicionais e outros musicados por mim e talvez por alguns amigos. Espetáculo este, concebido, para fazer estrada. Talvez fazer deste espetáculo um registo de CD, ao vivo. A par disso, pretendo continuar a cantar no Hotel Sana Malhoa, onde canto desde há três anos, todas as sextas-feiras. E fazer as minhas atuações pontuais, sempre que solicitada, de fado, ou por vezes também, de música ligeira, dependendo das circunstâncias do projeto.

 
 
 

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