Tertúlia do Fado Sadino M.C.
- joaquimgouveia06
- 26 de mar.
- 2 min de leitura
MARIA CAETANO
“O FADO TEM DE NASCER CONNOSCO”

Maria Caetano é fadista reconhecida na cidade pelos seus tributos e méritos. Diz que o fado faz parte de si, definiu-o à entrada da adolescência e a ele se ligou com o denodo e a dedicação que fazem de si uma fadista que o público gosta e aplaude. Acredita que a evolução do fado em termos de letras foi benéfica uma vez que se abandonou de certa forma o lado fatalista e triste para dar lugar à beleza de poemas que, aliados á música tradicional conquistam espaço entre os jovens. Amália, Hermínia, Marceneiro, entre outros fazem parte dos seus hábitos de escutar a chamada canção nacional, são alguns dos seus eleitos. Nasce-se fadista e o fado está na alma de cada um.
Joaquim Gouveia - Porque se tornou fadista?
Maria Caetano - Desde menina que senti que a música fazia parte da minha essência, cantava de tudo um pouco. O Fado vinculou-se mais tarde, já na entrada da adolescência, onde defini o estilo que decidi adoptar, por ser notório e imperativo que o fado era um sentimento forte, vindo do fundo da minha alma. Desta forma, percebi nitidamente que o fado fazia parte do meu destino.
Joaquim Gouveia - O fado é paixão ou um estado de alma?
Maria Caetano - Para mim são as duas. E em mim estão entrelaçadas, sempre que o canto.
Joaquim Gouveia - É fadista quem quer ou já se nasce fadista?
Maria Caetano - Não tenho dúvida alguma que o fado tem de nascer connosco, se não é apenas algo que se canta sem qualquer sentimento e assim, não é fadista apenas quem quer.
Joaquim Gouveia - Há uma tertúlia do fado setubalense?
Maria Caetano - Sim, especialmente no lugar onde me encontro às sextas e sábados. Onde o fado acontece em tertúlias fantásticas, diferentes e temáticas.

Joaquim Gouveia - Quem são as suas referências no fado?
Maria Caetano - A velha guarda do fado são referências muito marcantes e inesquecíveis. Amália Rodrigues, Hermínia Silva, Fernanda Batista, Argentina Santos, Ada de Castro, Alfredo Marceneiro, Fernando Maurício, Fernando Farinha, entre outros.
Joaquim Gouveia - Como define a atualidade em termos do fado nacional?
Maria Caetano - Penso que o fado passou por uma renovação. Em vez de poemas trágicos e histórias tristes, são interpretados poemas lindíssimos, mais atuais mas mantendo a música tradicional. Deste modo, o fado conseguiu atrair a massa mais jovem, que cada vez são mais, e é fantástico observar as interpretações de fadistas, de diferentes faixas etárias nas belas noites de fadistice que acontecem por todo o país.
Joaquim Gouveia - Que projetos tem para a sua carreira e que caminhos tem trilhado?
Maria Caetano - Continuar a mostrar ao público que queira ouvir, através da minha voz, como eu amo e amo com toda a paixão da minha alma, o meu fado.


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